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A palavra é de prata, o silêncio é de ouro e o empate do Sporting é de lata

Em semana de "blackout" (que afinal não o era), o Sporting empatou em Chaves e não aproveitou para reduzir a distância para o líder Benfica, que também empatou

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JOSE MANUEL RIBEIRO

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"blackout", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/blackout [consultado em 14-01-2017].

Quando não há nada de bom para dizer, o melhor mesmo é ficar em silêncio. Esta semana, o Sporting optou por se autosilenciar - num blackout que não era um blackout (AQUI), como um cachimbo pode não ser um cachimbo - e a verdade é que esta noite, em Chaves, é provável que tenha havido muitos adeptos do Sporting a preferir o silêncio ao desagrado, depois de uma 1ª parte (90 minutos?) de nível muito fraco por parte da equipa de Jorge Jesus.

Ainda castigado, a assistir ao jogo num camarote, o treinador do Sporting incluiu no onze dois reforços de peso: Rui Patrício, que esteve lesionado, e Adrien Silva, que tinha saído para o hospital no jogo contra o Feirense. O problema é que as boas notícias para os sportinguistas acabaram aí.

O jogo ainda mal tinha começado quando o Chaves aproveitou um dos pontos fracos do Sporting: os corredores laterais (esta noite houve Bruno César na esquerda e Esgaio na direita). Perdigão cruzou para Rafael Lopes fazer o 1-0 e mostrar que não é à toa que o Chaves é a equipa sensação da Liga 2016/17. Mesmo após a saída de Jorge Simão para o Sporting de Braga, os flavienses mantiveram o nível exibicional, agora com Ricardo Soares na liderança. Depois de um empate (positivo) em Vila do Conde, o Chaves mostrou por que razão está em 6º lugar da Liga, com apenas 17 golos sofridos - só menos um do que... o Sporting.

Abananada com a entrada adversária, a equipa leonina passou 45 minutos sem reação, como quem se enrola no sofá quentinho à beira do aquecedor quando chove a potes lá fora. Com Fábio Martins em destaque, o Chaves continuou a ameaçar a baliza de Patrício e ninguém diria que o Benfica tinha empatado com o Boavista em casa, dada a apatia leonina em partir para cima dos flavienses.

Só em cima do intervalo, num lance já visto esta época, é que o Sporting conseguiu chegar ao empate. Gelson cruzou, Bas Dost saltou e o resultado foi o do costume para o holandês: golo.

Só que também houve pouco Sporting na 2ª parte - nem com as entradas de Bryan Ruiz (quem és tu e o que fizeste ao Bryan Ruiz da época passada?) e André para os lugares dos apagados Joel Campbell e Alan Ruiz, ao intervalo, a questão melhorou particularmente. Se a falta de eficácia tem sido um problema para a equipa de Jesus, a tempos - e Bas Dost é o único finalizador, neste momento -, esta noite a questão nem foi a finalização, foi mesmo a criação.

O Sporting raramente criou oportunidades de golo dignas desse nome e ficou ainda pior aos 75', quando Rúben Semedo foi expulso por acumulação de amarelos. Ainda houve uma réstia de esperança verde quando - quem mais? - Bas Dost conseguiu fazer o 2-1, mas já em cima do final Fábio Martins marcou um golo de levantar qualquer estádio do mundo e fechou o jogo em 2-2.

O Sporting não aproveitou o deslize do Benfica e, no final, Adrien Silva disse assim: "Não há palavras para descrever isto". O melhor é manter o silêncio.

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