Tribuna Expresso

Perfil

Futebol nacional

Passas do Algarve não afetaram o Braga. Aliás, chamou-lhes um doce

No arranque do novo formato da Taça da Liga, o Sporting de Braga garantiu o primeiro bilhete para a final de domingo com uma vitória tranquila por 3-0 frente ao Vitória de Setúbal. Pedro Santos, Stojiljkovic e Rodrigo Pinho foram os artilheiros de serviço

Tiago Oliveira

JORGE SIMÃO. O treinador ainda só perdeu dois jogos no campeonato e trocou a surpresa de Chaves pelo desafio do pódio com o Braga

Hugo Delgado/Lusa

Partilhar

Tudo de novo no Algarve, com o primeiro capítulo da nova vida da Taça da Liga a sorrir ao Sporting de Braga. No jogo que marcou o arranque do alterado formato daquela que é para muitos o “patinho feio” das competições internas, os arsenalistas não deram tréguas e garantiram acesso à final com uma vitória a compasso de três golos sem resposta por parte dos setubalenses.

Atenções centradas no sul do país, onde a Liga de Clubes decidiu inovar para a décima edição do torneio, com as meias-finais e a final a realizarem-se no mesmo estádio no espaço de 5 dias. Uma Final Four à portuguesa, para decidir quem será o #campeaodeinverno como os cartazes gigantes dos pilares do recinto faziam questão de recordar.

Inovações de redes sociais à parte, o primeiro jogo (amanhã há Benfica-Moreirense) colocou frente a frente os dois únicos cubes que romperam o domínio do Benfica na competição. 4.127 mil pessoas enfrentaram o frio para assistirem ao confronto entre Braga e Setúbal, com promessas de ambos os treinadores de uma luta intensa pela vitória. Jorge Simão e José Couceiro não deixaram as palavras cair em saco roto (como tantas vezes já se viu na história da Taça da Liga), pelo menos nas escolhas, e fizeram uso dos seus onzes preferidos para atacarem a vitória (já sem dois dos protagonistas da passagem às meias-finais por parte dos sadinos, Ryan Gauld e André Geraldes).

Fazendo uso de um clássico chavão do futebol, é justo dizer que a partida começou muito disputada a meio campo, com as equipas a estudarem-se mutuamente. Foi sem nada o fazer prever que os bracarenses chegarem cedo à vantagem, logo ao minuto 13.

Lance aparentemente inofensivo, remate de Pedro Santos e mão de Frederico Venâncio. Carlos Xistra apontou para a marca da grande penalidade e, sem contemplações, o mesmo jogador atirou para o fundo das redes de Pedro Trigueira. 1-0, vantagem na eliminatória.

A reação do Vitória de Setúbal foi imediata, com Nuno Santos a ver o pão ser-lhe tirado da boca (mais um chavão, eu sei, vou tentar ter cuidado) por Paulinho, outro dos jogadores que seguiu o seu antigo treinador no Chaves rumo à cidade dos arcebispos. Se tudo parecia apontar para uma primeira parte intensa, as indicações não se confirmaram. A uma pressão sadina sem lances de perigo, sucediam-se contra-ataques pouco incisivos por parte do Braga. Sem espaço para compensações, o primeiro tempo acabou de forma morna.

Atraso deita tudo a perder

Para quem esperava uma segunda parte mais animada, o início pode ter desiludido, pois a toada não se alterou. Com exceção a algumas picardias para aquecer e um remate perigoso do meio da rua de Pedro Santos (hoje o jogador mais desta equipa) só algumas iniciativas de Nuno Santos ou Edinho por parte do Setúbal faziam pensar que o empate era possível. Eis que Nuno Pinto decidiu entrar em ação.

Até aí só visto em alguns livres ofensivos, e quando José Couceiro se preparava para mexer para chegar ao empate, optou aos 66 minutos por um passe para trás com “denunciado” escrito a toda a volta. Rui Fonte foi rápido a perceber, chegou à bola primeiro e passou de primeira para Stojiljkovic, que só teve que encostar para a baliza deserta.

O segundo golo parecia dar uma grande machada nas aspirações do Vitória e o sentimento agudizou-se, quando Thiago Santana, recém-entrado, atirou para grande defesa de Matheus, que impediu um golo capaz de alimentar a incerteza no marcador.

Não entrou aí, voltou a entrar do outro lado do campo aos 87 minutos. Arrancada de Ricardo Horta e finalização no coração da área de Rodrigo Pinho, entrado minutos antes. Festa completa, não sem antes haver um momento para introdução de Alan em campo, marcador do golo que deu a única vitória na competição ao Braga.

No primeiro dia do resto da nova vida da Taça da Liga, a experiência deu o primeiro bilhete para a final aos arsenalistas. Resta saber se o parceiro será Benfica ou Moreirense. A bola continua a rolar no Algarve.