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Como se leva uma Taça na desportiva? O Benfica explica

O Benfica foi eliminado da Taça da Liga pelo Moreirense, depois de sofrer três golos numa 2ª parte de loucos (3-1)

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Festa do Moreirense

Luís Forra/Lusa

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"Nós somos o outsider, a surpresa, estamos na desportiva. Se o Moreirense ganhar ao Benfica, todos vão dizer 'uau', se o Benfica ganhar é normal. Vamos tentar fazer com que vocês abram a boca de espanto."

Augusto Inácio, treinador do Moreirense (AQUI)

Afinal quem é que levou a 'final four' da Taça da Liga na desportiva? A resposta é simples: o Benfica. Depois de uma 1ª parte tranquila em que marcou logo aos seis minutos e esteve sempre por cima do Moreirense, o Benfica entrou em colapso total na 2ª parte e permitiu que o adversário marcasse três golos em 25 minutos.

Mas, atenção: a derrota do 'grande' tem muito mérito do 'pequeno', que entrou com tudo na 2ª parte (mérito também para Augusto Inácio, que lançou Dramé e Fernando Alexandre ao intervalo) e mudou um jogo que poderia ter servido de soporífero aos 8935 espectadores que passavam frio no Estádio do Algarve, caso o Benfica tivesse controlado os acontecimentos, como aconteceu na 1ª parte.

É que a meia-final não podia ter começado melhor para a equipa de Rui Vitória, que esta noite contou com Lisandro, Jardel, Eliseu, Carrillo, Salvio e Rafa no onze titular - Luisão, Lindelöf, Semedo, Zivkovic, Mitroglou e Cervi, titulares na goleada de domingo contra o Tondela (4-0), ficaram de fora.

Depois de uma recuperação de bola no corredor direito da defesa, o Benfica saiu da pressão efetuada pelo Moreirense de forma exímia, com três, quatro, cinco, seis passes seguidos em todo o campo, e viu Salvio, que tinha iniciado a jogada bem lá atrás, finalizá-la no centro da área (Jander, esta noite no lugar do habitual titular Rebocho, estava a dormir), depois de um grande cruzamento do regressado Eliseu, pela esquerda.

O jogo começava às mil maravilhas para o Benfica e continuava, ao longo dos primeiros 45 minutos, exatamente da mesma forma: Benfica a atacar, Moreirense a tentar conter estragos. O livre direto de Jander para as mãos de Ederson, já em cima do intervalo, foi o único momento em que o Moreirense chegou à área adversária.

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Na 2ª parte, o mundo ficou de pernas para o ar. Inácio lançou Fernando Alexandre e Dramé - esses, sim, titularíssimos - para os lugares de David Ramirez e Tiago Morgado, e as mudanças tiveram efeito logo no primeiro minuto de jogo. Passe fantástico de Francisco Geraldes - o sportinguista foi um dos melhores em campo, juntamente com o outro sportinguista, Podence - para Dramé e o jogador do Moreirense fintou Ederson e fez o empate, com alguma felicidade na finalização, já que tanto Lisandro como André Almeida taparam a baliza, mas a bola passou por eles.

Se a 2ª parte já começava mal para o (amorfo) Benfica, pior ainda ficou quando Lisandro saiu lesionado, logo nos minutos seguintes, por ter embatido no poste no lance do golo, e Ederson pôs uma bola nos pés de Jander. De repente, tudo parecia correr mal à equipa de Rui Vitória e a desorientação só podia dar (mais) asneira (volta, Fejsa...): livre para Geraldes, que lançou Cauê e viu o colega cruzar para Boateng marcar novamente.

2-1 para o Moreirense aos 54 minutos e o caos não ficou por aí: Eliseu ainda tentou assustar Makaridze de longe, mas não houve reação do Benfica para o 3-1 do Moreirense. Jardel borra a pintura a tentar controlar uma bola, perdendo para Podence, e o pequeno extremo do Moreirense assistiu Boateng na perfeição para mais um golo.

Só aqui, aos 71 minutos, é que o Benfica pareceu perceber que esta não era uma partida na desportiva. Já com Jardel a ponta de lança e Raúl no lugar do (apagado) Carrillo, o Benfica carregou e teve várias oportunidades de golo nos últimos minutos, quase sempre por Jonas, mas houve sempre Makaridze ou a trave a negar o golo até final.

3-1 e o Moreirense vai disputar a final da Taça da Liga - em que o Benfica venceu sete das nove edições - com o Sporting de Braga, no domingo (20h45, RTP1). Sim, abrimos a boca de espanto.

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