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Nem a golear o Sporting relaxa

Depois de uma 1ª parte de alto nível, o Sporting ficou a ganhar 3-0, mas ainda tremeu quando o Paços de Ferreira reduziu para 3-2. Só que os sportinguistas têm uma arma secreta chamada Bas Dost, que fez o 4-2 e acabou com a crise

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JOSE MANUEL RIBEIRO

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Para entender este Sporting, o melhor é ler Pascal. Que, um dia, escreveu assim:

"O homem não é senão um caniço, coisa frágil da Natureza. Mas é um caniço pensante. E não é preciso que o universo inteiro se congregue, para esmagá-lo; um vapor, uma gota de água podem matá-lo."

A verdade é que, em tempos de crise, qualquer gota de água parece fazer suar este Sporting - mesmo quando a equipa está bem e a ganhar 3-0. Mas já lá vamos.

De volta a Alvalade depois de uma série pouco feliz de jogos fora de casa - empate na Madeira (2-2) e empate em Chaves (2-2), para a Liga, e derrota também em Chaves (1-0), para a Taça de Portugal -, o Sporting entrou a todo o vapor contra o Paços de Ferreira e rapidamente foi somando ocasiões de golo junto da baliza de Defendi.

Logo nos primeiros minutos, depois de uma boa combinação entre Gelson e Schelotto na direita - foi quase sempre por aí que o Sporting criou perigo -, Bryan Ruiz cabeceou sozinho na área, mas a bola saiu por cima.

Não foi aí, mas o golo não demorou muito mais a aparecer. Aos 12', Pedro Monteiro agarrou Adrien na área e o capitão do Sporting aproveitou para fazer o 1-0 de penálti.

Início mais tranquilo para uma equipa que anda em crise de resultados era impossível e a verdade é que o Sporting pareceu sempre estar a controlar o jogo, ainda que o Paços tentasse chegar junto à área de Patrício através de livres.

Só que quando o Sporting acelerava - Gelson então... -, o Paços tremia. William ia tentando explorar o espaço nas costas da defesa adversária através de passes a rasgar (foi assim que surgiu o terceiro golo), mas foi Alan Ruiz a descobrir Schelotto numa dessas jogadas, com o lateral argentino a aproveitar o espaço livre para servir - quem mais? - Bas Dost, na área, aos 32'.

Três minutos depois, o mesmo filme, com novos intervenientes: William lança Gelson na profundidade (o tal espaço nas costas que o setor defensivo do Paços raramente soube controlar convenientemente) e o jovem sportinguista faz um golaço, fazendo a bola passar por cima de Defendi antes de enviá-la para a baliza.

O 3-0 antes do intervalo significava uma noite descansada em Alvalade... mas em tempos de crise é difícil relaxar. A 2ª parte mal tinha começado quando Christian fugiu pelo corredor esquerdo e cruzou para Welthon se antecipar a Semedo e fazer o 3-1 que iria fazer tremer o Sporting.

A equipa de Jorge Jesus, que sofre golos há seis jogos consecutivos, permitiu então que o Paços de Vasco Seabra começasse a dividir o jogo, e Welthon voltou a aparecer na cara de Rui Patrício pouco depois, mas o guarda-redes do Sporting fez a defesa da noite (e também já tinha defendido na perfeição um livre direto de Pedrinho, no último lance da 1ª parte).

O lance não deu golo, mas fez com que Jesus tirasse imediatamente Adrien, que deu o lugar a Palhinha. É que o capitão já estava amarelado e, no tal lance, evitou uma falta sobre Barnes Osei, que então fez um grande passe a isolar Welthon.

Já com Palhinha a trinco e William mais à frente, o Sporting voltou a sofrer um golo, mas agora de canto. Marco Baixinho antecipou-se a Schelotto no primeiro poste e desviou a bola para a entrada de Welthon, que também se antecipou ao recém entrado Zeegelaar e bisou.

3-2 e o Sporting - que já sofreu 20 golos na Liga (o Benfica sofreu 11 e o FC Porto 10) - tremia... até aparecer o suspeito do costume. Amor com amor se paga e, poucos minutos depois, também num canto, Bas Dost aproveitou uma fífia de Defendi para fazer o 4-2 e marcar o 16º golo na Liga - continua a ser o melhor marcador em Portugal, com mais cinco golos do que André Silva.

Finalmente, o Sporting descansava e voltava às vitórias. Em boa altura, já que a equipa de Jorge Jesus joga para a semana no... Dragão. Menos frágil, sim, mas ainda sem poder relaxar. Nem a golear.