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Eis um título que ninguém imaginava: Moreirense conquista a Taça da Liga

O Moreirense derrotou o Sporting de Braga (1-0), depois de também já ter eliminado o Benfica, e conquistou a Taça da Liga - a 1ª da história do clube minhoto

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Os festejos dos jogadores do Moreirense

FRANCISCO LEONG/GETTY

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Há mais de 600 km a separar Braga de Faro, mas, esta noite, o Estádio do Algarve foi inteiramente minhoto. Estiveram 6713 adeptos de Sporting de Braga e Moreirense a assistir à final da Taça da Liga e, perante um número assim num estádio com 30 mil lugares, é preciso perguntar: vale a pena disputar uma final entre dois clubes minhotos no sul do país? Melhor dizendo: uma final que começa às 20h45 de domingo, quando segunda-feira é dia de trabalho para muito boa gente?

Questões que merecem reflexão por parte da Liga, que implementou esta época a 'final four' da Taça da Liga e alterou algumas regras, como a entrada na competição dos quatro maiores clubes apenas na 3ª fase. Isto quer dizer que os chamados 'grandes' - Sporting de Braga incluído - só se podiam cruzar nas meias-finais.

É evidente que a prova estava mesmo, mesmo a pedir uma final entre 'grandes', mas o remate saiu ao lado - Sporting e FC Porto não se conseguiram qualificar e o Benfica foi eliminado pelo 'pequeno' Moreirense, o que fez desta a primeira final portuguesa em 17 anos sem um dos 'grandes'.

E - antes de irmos ao futebol propriamente dito (também é verdade que esta noite não houve muito disso) - mais uma questão para a Liga e, também, para o árbitro da final, Artur Soares Dias: há condições para retomar normalmente um jogo quando adeptos de um dos clubes - no caso, do Sporting de Braga - atiram para o relvado petardos que atingem os jogadores da equipa adversária - no caso, do Moreirense (Roberto e Geraldes)? É que há mais no futebol do que criar 'hashtags' modernas para uma competição, ainda que a de #campeãodeinverno tenha a sua graça.

E, agora sim, o futebol. Melhor dizendo, o futebol possível.

É certo que estávamos no sul do país, mas, esta noite, houve mais do que uma pitada de América do Sul na final da Taça da Liga. Não só pelo aparecimento (lamentável) dos petardos, mas por uma 1ª parte que teve mais 'porradas' do que futebol.

Com seis trocas em relação ao jogo com o Benfica, em que Augusto Inácio admitiu que ia utilizar a equipa 'B', o Moreirense apresentou-se com uma equipa mais 'normal', demonstrando que iria fazer tudo para conseguir conquistar a primeira taça do palmarés do clube - em 78 anos, o maior título que conquistou foi o de campeão da 2ª Liga, em 2001/02 e em 2013/14.

Se o Sporting de Braga era o grande favorito para esta final - o Moreirense, pelo contrário, era o menos favorito dos quatro clubes da 'final four' e é por isso que o futebol é tão bonito, não é? -, nunca o demonstrou. Os bracarenses não pegaram na partida, como seria expectável, e raramente partiram para o ataque, mantendo-se na expectativa.

O Moreirense, dentro das suas possibilidades - que vão ficar bem mais curtas em breve quando os criativos Francisco Geraldes e Podence (aquele cruzamento de letra na 1ª parte...) regressarem ao Sporting -, foi sempre tentando assustar o 'grande' e, em cima do intervalo, foi feliz.

Invertendo os papéis habituais de ambos, Dramá lançou Geraldes na profundidade com um grande passe e o médio do Moreirense foi derrubado por Matheus. É certo que o guarda-redes bracarense já tinha agarrado a bola com as mãos quando Geraldes chega, mas Matheus faz-se ao lance com a perna levantada, atingindo o adversário.

Cauê, com uma paradinha a fazer lembrar Zaza no Euro-2016, aproveitou para fazer o 1-0 e mandar o Moreirense para o intervalo a ganhar, depois de uma 1ª parte praticamente sem oportunidades de golo.

A justiça do resultado, se é que há disso no futebol, era evidente e a verdade é que, mesmo na 2ª parte, o Sporting de Braga raramente mostrou competência para dar a volta ao resultado. Ao intervalo, Jorge Simão tirou Xeka e lançou Vukcevic, mas o meio-campo bracarense nunca conseguiu dominar verdadeiramente a partida e nem Ricardo Horta nem Pedro Santos apareceram a desequilibrar como é habitual.

Apenas nos últimos minutos, mais com coração do que com cabeça, é que o Sporting de Braga esteve perto da baliza de Makaridze, mas o guarda-redes geórgio negou o golo a Pinho, por duas vezes, e o Moreirense ainda conseguiu assustar Matheus em contra ataques rápidos, já com a velocidade de Boateng - que marcou dois golos ao Benfica - na frente atacante.

No final, vitória justa do 14º classificado da Liga portuguesa, que tem melhorado a olhos vistos depois da entrada de Augusto Inácio, no início de dezembro. Eis uma frase que nunca pensámos ler: o Moreirense é #campeãodeinverno.