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Morreu Amândio de Carvalho: mesa-tenista, basquetebolista, futebolista, dirigente federativo e “cabeça do polvo”

Antigo vice-presidente da FPF que ficou ligado ao “Caso Saltillo” e foi acusado por Carlos Queiroz de ser a “cabeça do polvo”, faleceu esta sexta-feira, aos 79 anos

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Marcos Borga / Visão

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Natural do Montijo, Amândio de Carvalho foi praticante de ténis de mesa, basquetebol e futebol. Chegou a integrar a seleção de juniores de futebol da Associação de Setúbal, da qual foi vice-presidente (1970), secretário geral (1989) e presidente (1991).

Mas é na Federação Portuguesa de Futebol que ganha maior protagonismo. Primeiro em 1983, altura em que assumiu funções como vice-presidente da direção da FPF, presidida então por Silva Resende. Foi ele o responsável pelas seleções que participaram no Europeu de 1984, em França, e no Mundial de 1986, disputado no México, tendo ficado intimamente ligado ao polémico caso Saltillo.

Amândio de Carvalho regressa à FPF, em 1998, como vice-presidente administrativo, na direção presidida por Gilberto Madaíl, acumulando, desde 2007, com o cargo de responsável pela Seleção A, acompanhando as seleções no Euro-2008 e no Mundial de 2010. Manteve-se nestas funções até dezembro de 2011, ano em que foi agraciado com o Grau de Comendador da Ordem de D. Henrique, pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

A "cabeça do polvo" de Queiroz

Em agosto de 2010, numa entrevista ao Expresso, o selecionador Carlos Queiroz - que levou Portugal ao Campeonato do Mundo da África do Sul -, assumiu que “Amândio de Carvalho decidiu pôr a sua cara na cabeça do polvo” e revelou que ”antes do jogo decisivo da qualificação (com a Bósnia, na Luz)”, foi chamado pelo vice presidente e este lhe terá dito que não tinha “confiança” no seu trabalho. “Disse que eu não era o treinador dele, que não tinha confiança em mim para dirigir a selecção”, revelou na altura Queiroz .

Amândio de Carvalho tirou o curso de treinador de futebol no antigo INEF em 1958, profissionalmente, e depois de ter tirado o Curso Industrial, foi professor no Montijo. Trabalhou na Firestone Portuguesa desde 1961.