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A desgraça do Sporting? #ACulpaTambémÉdoSoares

Em dia de estreia com a camisola do FC Porto, Soares marcou os dois golos que deram a vitória aos dragões no clássico (2-1) e que acabaram definitivamente com qualquer hipótese de final feliz para o Sporting esta temporada. E nem sequer foi a primeira vez que o avançado brasileiro tramou os leões esta época

Lídia Paralta Gomes

MIGUEL RIOPA/Getty

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A história da época do Sporting também será a história de como um rapaz nascido em Sousa, no estado do Paraíba, há 26 anos, deu cabo de um sonho verde e branco. Não que Soares, Francisco Soares dos Santos no BI, Tiquinho de alcunha, tenha roubado o campeonato ao Sporting ou seja o único responsável pela desgraça leonina. Mas a verdade é que o brasileiro conseguiu o feito de travar o Sporting em dois momentos decisivos da temporada.

Porque antes de se estrear pelo FC Porto com dois golos frente ao Sporting, dois golos que valeram 3 pontos aos dragões e o adeus definitivo do Sporting ao título, já Francisco Soares dos Santos, que parece mais nome de empresário da venda a retalho do que de goleador, tinha entalado o leão: aquele último golo que sela a recuperação do V. Guimarães, que virou de 3-0 para 3-3 frente à equipa de Jesus, um golo aos 89 minutos, é dele.

E esse golo foi mais do que um golo que empatou um jogo: a partir dali, o Sporting tornou-se definitivamente na equipa intranquila que hoje entrou em campo no Dragão com 6 pontos de atraso para o adversário e 7 para o líder Benfica. Na equipa que falhou na Europa, que foi atirada borda fora da Taça da Liga e depois da Taça de Portugal. Depois daquele golo de Soares, o Sporting empatou os dois jogos que se seguiram para o campeonato e perdeu os dois duelos na Champions com o Borussia Dortmund. Muita da época se decidiu ali.

Esta noite, o Sporting jogava a última esperança neste campeonato, mas mais uma vez teve Soares pela frente. À primeira oportunidade, Nuno Espírito Santo deu a titularidade à sua contratação de inverno e à primeira oportunidade o brasileiro marcou. Bastaram sete minutos: Corona trocou as voltas a Zeegelaar, cruzou para a área, Coates e Semedo ficaram com André Silva e Soares aproveitou a desatenção de Palhinha, que não acompanhou o lance. Sozinho, foi só cabecear.

Aos 7 minutos, era como se Nuno já tivesse ganho o duelo dos treinadores. Porque ganhava a aposta em Soares e também, já agora, fazia diferença o FC Porto jogar com extremos. Do outro lado, Jesus já desesperava com aquele lado esquerdo: um Zeegelaar que não ganhava um duelo e Matheus Pereira, a grande surpresa do onze, que perdia para Maxi até em velocidade.

O desalento de Adrien Silva

O desalento de Adrien Silva

JOSÉ COELHO/LUSA

O segundo chegou a cinco minutos do intervalo, após longos e longos momentos de pouco futebol, com o Sporting a tentar jogar apoiado, que não é o mesmo que jogar organizado, e o FC Porto a tentar cavalgar rapidamente para o ataque sempre que tinha a bola, mas sem grande efetividade. Isto até Brahimi ganhar na marra um lance a Palhinha, deixar para Danilo que, quais quarterback, fez um passe a rasgar para Soares, que mais uma vez impôs o seu físico entre os centrais do Sporting, contornou Patrício e fez o segundo.

Leão só na 2.ª parte

Jesus percebeu rapidamente o erro de casting que foi Matheus Pereira, que até ao clássico do Dragão tinha feito qualquer coisa como um minuto no campeonato - e por isso talvez o miúdo seja o menos culpado de todos. Atirado aos dragões, o jovem brasileiro acusou o peso da responsabilidade e ao intervalo ficou no balneário.

Bryan Ruiz foi então para a esquerda e Jesus colocou o outro Ruiz, Alan, no miolo. E a partir daí o Sporting transfigurou-se e o jogo ficou bem mais entretido. O argentino deu peso e intensidade ao jogo leonino e, pelo caminho, ainda fez o golo que permitiu à equipa de Jesus sonhar com a reviravolta. Estávamos no minuto 60 quando Bas Dost (num dos primeiros toques que fez na área do FC Porto) passou atrasado para Ruiz, que puxou lá atrás e rematou forte e colocado.

Talvez Casillas pudesse ter feito mais no golo do Sporting, mas tudo se perdoa ao guardião, que na reta final do encontro, quando o leão carregava e carregava, fez duas defesas daquelas que podem muito bem entrar num qualquer vídeo do YouTube com as melhores defesas de sempre. Principalmente a última, ao minuto 93, com o espanhol a ir ao canto inferior direito tirar uma bola de Coates que tinha golo lá escrito.

E com o milagre de Casillas o FC Porto vai dormir líder do campeonato, à espera do que fará o Benfica amanhã, frente ao Nacional.

Quanto ao Sporting, já são 9 pontos de atraso para o dragão e o adeus definitivo a qualquer réstia de esperança num final feliz para esta época. #ACulpaTambémÉdoSoares (e do Casillas, já agora).