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Rio Ave e Feirense criticam posição “tardia” e “irresponsável” da Santa Casa

Os dois clubes recusam qualquer envolvimento na manipulação de resultados e lamentam que os reguladores das apostas tenham lançado suspeitas sobre o bom nome dos profissionais de futebol. Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos informa que reguladores europeus já foram alertados para a situação

Isabel Paulo

PAULO NOVAIS

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O Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos informou, na noite desta terça-feira, que tendo conhecimento de suspeitas de irregularidades sobre as apostas desportivas sobre o jogo entre o Feirense e Rio Ave notificou, previamente ao jogo, “as entidades exploradoras para retirarem esta competição das listas de eventos sujeitos a aposta”.

A decisão foi também comunicada à Liga Portugal, adiantando a entidade reguladora que “está a averiguar em detalhe” o ocorrido nas apostas efetuadas naquele jogo, tendo inclusive estabelecido contactos “com outros reguladores europeus que também alertaram para esta situação”, refere em comunicado.

Na origem do alerta, que ditou a retirada das apostas no jogo de segunda feira à noite entre o Feirense e Rio Ave, esteve o invulgar valor de apostas, num total de 50 mil euros, registadas por um único apostador. A denúncia foi feita ao Ministério Público, que se encontra a recolher elementos “tendo em vista se existe ou não matéria para a instauração de inquérito”.

Além de negarem qualquer envolvimento no caso, os clubes em causam criticam ainda a forma como foram arrastados na onda de suspeição. Ao Expresso, Jorge Gonçalves lamenta que a Santa Casa não tivesse informado os clubes do que se estava a passar, “lançando para o ar uma mancha inaceitável sobre as duas instituições e o futebol português”.

O administrador da SAD do Feirense afirmou ainda que os clubes não são “tidos nem achados” dos jogos que constam dos boletins de apostas, razão porque defende que os reguladores deveriam ter agido de forma pedagógica, transparente, “e não irresponsável” em relação ao bom nome dos clubes.

Jorge Gonçalves refere ainda que os clubes limitam-se a receber trimestralmente uma contrapartida financeira, através da Liga Portugal, das casas de apostas, “uma verba igual para todos os clubes independente o número de apostas feitas em determinado jogo”.

Em comunicado, emitido na noite desta terça-feira, a administração da SAD avança que foi surpreendida com as notícias do cancelamento das apostas no jogo que o o Feirense ganhou (2-1) em casa, na segunda-feira, criticando a tardia tomada de posição por parte do Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que com um simples comunicado a explicar as razões da suspensão das apostas teria salvaguardado o todas as partes – o promotor das apostas, as sociedades desportivas envolvidas, os seus profissionais e o próprio futebol.

O Feirense adianta ainda que a maneira como o caso foi conduzido “alimentou uma polémica estéril e suspeição infundada, o que levou a Comunicação Social a ”montar uma história de contornos rocambolescos com personagens tirados sabe-se lá de onde”.

O clube acrescenta que a verdade desportiva “nunca esteve em causa” e que nas horas que antecederam o jogo o plantel e equipa técnica se encontravam em estágio, sem conhecimento das notícias veiculadas pela comunicação social e redes sociais, “uma vez que é proibido por regra interna a utilização de dispositivos móveis durante esse período”.

Rio Ave rejeita tese de manipulação

A direção do Rio Ave é igualmente crítica em relação à atuação do Departamento de Jogos da Santa Casa, cujos esclarecimentos “foram úteis mas tardios”, ao permitir que “alguma imprensa fosse célere em apontar o caso como suspeita de manipulação, pondo em causa a honra, honestidade e integridade dos profissionais e instituições”.

Tal como o seu adversário de dominho, a equipa vilacondense e o respetivo staff também se encontravam em estágio quando “tomaram conhecimento, através da imprensa e redes sociais do sucedido, levantando as suspeitas de manipulação de resultados”. A direção do Rio Ave refere que os seus profissionais são “íntegros e competentes, acima de qualquer suspeita, excelentes promotores do desporto e do futebol, bem como exemplos de cidadania.“