Tribuna Expresso

Perfil

Futebol nacional

O que Benfica e FC Porto fizeram para lá chegar. Lá, ao que todos querem: o título

A luta pelo campeonato será feita a dois até maio: Benfica, atual líder, e FC Porto, o perseguidor. As águias estiveram em situação semelhante no último ano e os dragões há duas épocas. Se a história se repetir, o Benfica fará mais 33 pontos neste campeonato e o FC Porto um máximo de 29. Explicamos como e porquê - mas lembre-se, isto é só estatística, porque o futebol dentro de campo é sempre inesperado (e é por isso que gostamos tanto dele)

Lídia Paralta Gomes

Reprise. Nélson Semedo e Alex Telles ainda voltam a encontrar-se este ano: a 2 de abril, o Benfica recebe o FC Porto e há um título na mira dos dois

getty

Partilhar

Benfica em primeiro, FC Porto em segundo. Um ponto a separar. Esta é a forma menos complexa de explicar as contas do campeonato, uma luta a dois e a 14 rounds, com final marcado, no máximo, para maio.

Para o Benfica, a situação parece uma reminiscência da época passada, ainda que em 2015/16 a liderança tenha chegado mais tarde, a 5 de março, depois da vitória em Alvalade por 1-0. A partir daí e até à última jornada, o Benfica foi obrigado a defender uma liderança que era apenas de dois pontos sobre o Sporting. E fê-lo de forma perfeita: da jornada 25.ª até à 34.ª e última, os encarnados não perderam um ponto sequer. Essencial, porque o Sporting não largou o osso e também fez o pleno de pontos.

Este ano, a vantagem é ainda é mais magra. Um pontinho apenas para o FC Porto, que no último ano cedo ficou arredado da luta pelo campeonato (foi 3.º, a 15 pontos do Benfica e 13 do Sporting) e este ano volta a estar em posição de recuperar um título que foge há três temporadas. É assim preciso recuar até à época 2014/15 para encontrar um FC Porto em posição semelhante: na primeira época de Julen Lopetegui, estiveram na luta com o Benfica até à penúltima jornada – terminaram a liga separados por 3 pontos.

Agora que começa verdadeiramente a guerra pelo título em 14 volumes, importa saber: o que fizeram Benfica e FC Porto frente aos 14 adversários que aí vêm na última vez que estiveram em posições semelhantes? Ou seja, o que fez o Benfica na última temporada e como se comportou o FC Porto há duas épocas?

Comecemos pelo líder e tiremos Chaves e Feirense, dois adversários que no último ano não estavam na 1.ª Liga. Olhando para os restantes e fazendo as contas, o Benfica tem razões para estar otimista: em 12 jogos venceu 11 (33 pontos), alguns deles bem complicados, nomeadamente as deslocações a Braga (triunfo por 2-0 a 30 de novembro de 2015, quando estava a 7 pontos do líder Sporting) e a Alvalade (o tal 1-0 que acabou por definir o título).
Estes serão dois dos pontos mais quentinhos da caminhada encarnada. Sendo que o jogo com o Braga, na Pedreira, aparece cinco dias depois de o Benfica receber o Borussia Dortmund, na 1.ª mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões, encontro marcado já para a próxima terça-feira.

O ÚLTIMO JOGO. Será frente ao Boavista que o Benfica fechará o campeonato. Na 1.ª volta, os axadrezados surpreenderam na Luz, onde estiveram a vencer por 3-0

O ÚLTIMO JOGO. Será frente ao Boavista que o Benfica fechará o campeonato. Na 1.ª volta, os axadrezados surpreenderam na Luz, onde estiveram a vencer por 3-0

getty

Entre os 14 adversários que o Benfica terá pela frente na Luz até ao final da temporada, estão alguns que no último ano levaram tratamento de choque no estádio do campeão. A começar pelo Moreirense, que o Benfica recebe a 9 de abril e que na derradeira temporada saiu de Lisboa com um 4-1 no saco. Mas convém não esquecer que os cónegos este ano já traçaram a perna ao Benfica, na meia-final da Taça da Liga. Também o Marítimo (14 de abril) não tem grandes recordações da viagem à Luz da última época: perdeu por expressivos 6-0 (mas, tal como o Moreirense, sabe o que é ganhar ao Benfica esta época). E o mesmo serve para o Estoril, que joga em casa do Benfica a 30 de abril, estádio onde em 2015/16 perdeu por 4-0, logo à 1.ª jornada, ainda os encarnados não sabiam o que era estar a sete pontos do topo da tabela, quanto mais recuperá-los.

Mas também há jogos que na última época não foram fáceis para o Benfica. Nomeadamente a viagem ao estádio do Rio Ave, a receção ao V. Guimarães e a ida a casa do Boavista. Estes serão os três últimos jogos do Benfica esta temporada e em 2015/16 todos foram ganhos por 1-0, já na fase em que o Benfica defendia com unhas e dentes os 2 pontos que tinha de vantagem para o Sporting depois do triunfo em Alvalade.

O jogo no Bessa foi particularmente dramático: os encarnados venceram com um golo de Jonas aos 90’+4. Este ano, os axadrezados já travaram o Benfica na Luz, deixando-se empatar (3-3) depois de começar a vencer por 3-0.

FC Porto: 7 vitórias, 2 empates, uma derrota

Braga e Alvalade são paragens muito importantes, mas não ‘o’ momento mais importante para as águias até maio. Esse vai jogar-se na Luz a 2 de abril: o clássico Benfica-FC Porto.
Tal como os encarnados, os portistas jogarão pelo menos os oitavos de final da Champions (frente à Juventus) e terão uma viagem sempre complicada à Pedreira. Mas para começar, já este fim de semana jogam em Guimarães. Entre as duas deslocações, há então o potencial jogo do título, na Luz.

Face à temporada 2014/15, em que o FC Porto andou grande parte da época em segundo, na caça ao Benfica, e tirando os jogos com Tondela, Feirense e Chaves, que há dois anos não estavam na 1.ª Liga, o saldo é o seguinte: em 11 jogos os dragões têm sete vitórias, dois empates e uma derrota – nos Barreiros, esse caldeirão de dificuldades para os grandes e que o FC Porto visitará a 7 de maio. No total, falamos de 23 pontos.

Os empates dessa já longínqua era Lopetegui (dois anos não é nada, nós sabemos, mas às vezes parece) surgiram contra o V. Guimarães, no D. Afonso Henriques, prova de fogo para o FC Porto já no sábado, e frente ao Benfica, na Luz. Um nulo que, na altura, impediu o FC Porto de igualar os encarnados, treinados então por Jorge Jesus, no topo da tabela.

Tal como o Benfica, até ao fim do campeonato o FC Porto terá pela frente adversários a quem passou seríssimo corretivo nessa época de 2014/15. Casos do Arouca, que os dragões bateram por 5-0 no Municipal de Arouca, com golos de jogadores que já não moram no Porto: Quintero, Jackson Martínez (2), Casemiro e Aboubakar. Ou do V. Setúbal, passado a ferro no Dragão por 4-0, mas que este ano roubou pontos ao FC Porto no Bonfim (0-0).

O penúltimo jogo do FC Porto esta época para o campeonato será em casa frente ao Paços Ferreira, mais um encontro do qual os azuis e brancos têm boas recordações: em 2014/15 venceram por 5-0, com um bis de Ricardo Quaresma à mistura.

COMPLICADO. FC Porto terá uma difícil deslocação aos Barreiros, esse caldeirão de problemas para os grandes e onde os dragões perderam há duas épocas

COMPLICADO. FC Porto terá uma difícil deslocação aos Barreiros, esse caldeirão de problemas para os grandes e onde os dragões perderam há duas épocas

MIGUEL RIOPA / GETTY

Tirando o jogo da Luz, os adversários complicados para o FC Porto até maio parecem estar todos nas ilhas (já falámos do Marítimo) ou a norte da Invicta e surgem já na reta final do campeonato. Duas semanas após o clássico de 2 de abril, os dragões deslocam-se a Braga, onde há dois anos venceram por 1-0, com um golo de Cristian Tello. Esta temporada, na 1.ª volta, foi preciso Rui Pedro saltar do banco para dar a vitória ao FC Porto, aos 90’+5.
A 30 de abril, o FC Porto volta a Chaves e ao estádio onde foi eliminado da Taça de Portugal, tal como o Sporting. E frente a uns flavienses que na 1.ª volta deram água pela barba aos azuis e brancos, que estiveram a perder dos 12 até aos 71 minutos, com Depoitre (sim) e Danilo a darem por fim a volta ao resultado.

Segue-se então a ida ao Funchal e na última jornada um estádio onde o FC Porto passou com facilidade há dois anos (2-0) mas caiu esta época, na Taça da Liga: o Comendador Joaquim de Almeida Freitas, em Moreira de Cónegos.

Até ao fim

A million dollar question do momento é: um ponto bastará? Olhando para o calendário e para o histórico, não dá para o Benfica se fiar. Há uma deslocação a Braga, onde os encarnados perderam três vezes e empataram outras duas nos últimos oito jogos. E depois de receberem o FC Porto, o Benfica ainda tem de jogar em Alvalade. Em casa, no clássico, o Benfica tem sido mais forte nos últimos cinco anos, apesar da derrota na última temporada. Já no dérbi, e jogando em Alvalade, tudo muito equilibrado nas últimas cinco temporadas: duas vitórias para cada lado e dois empates. Nos restantes jogos, o Benfica é amplamente favorito.

Um percurso imaculado para o Benfica será, assim, difícil. Mas não será mais fácil para o FC Porto, que apenas terá de enfrentar um dos grandes (Benfica), mas fará duas viagens historicamente complicadas: a Guimarães, onde não ganha desde 2013, e a casa do Marítimo, onde os dragões, nos últimos cinco anos, só têm uma vitória (em 2012) e perderam por três vezes. Há ainda o jogo na Pedreira, onde o FC Porto tem duas derrotas nas últimas cinco temporadas.

Assim, a corrida está, para já, em aberto: Benfica na frente e FC Porto como perseguidor. E por falar em perseguir, algures no filme a Sombra do Caçador, o reverendo Harry Powell, interpretado por um Robert Mitchum que nos causa arrepios, diz: “Salvation is a last-minute business, boy”. E esta corrida também está com ares de só ficar resolvida no último minuto.

Palavras-chave

Partilhar