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Os craques anónimos

No último dos textos que publicamos esta semana sobre a primeira memória que os jornalista da Tribuna Expresso têm de um jogo de futebol, Mariana Cabral recorda um enorme craque totalmente desconhecido do futebol mundial

Mariana Cabral

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Era uma vez um jogo tão bom, tão bom, tão bom que nem sei qual era. Não vou mentir e dizer que me lembro do primeiro jogo que vi, porque não me lembro. É que isto da memória é uma coisa dúbia (se nunca viu a série "The Affair", sugiro que veja), especialmente quando se buscam memórias da juventude, e a verdade é que a minha nunca foi particularmente brilhante.

A maneira mais fácil de situar um adepto, em termos de gerações de futebol, é perguntar-lhe pela primeira grande competição e a minha foi, tal como escreveu aqui a minha estimada colega Lídia Paralta Gomes na segunda-feira, o Mundial de 1994, até porque estava precisamente nos EUA nessa altura.

Contudo, não é sobre isso que vou escrever (até porque a Lídia já o fez muito bem). Vou escrever sobre o primeiro grande jogo de que me lembro, do qual mais ninguém se lembra: um baliza a baliza com um craque anónimo chamado Osvaldo (calma, não é o do FC Porto).

Foi ele que me deu, ainda mal sabia eu andar, a minha primeira bola e fingiu ânimo quando lhe dei os primeiros toques toscos. A partir daí, ela passou a ser a minha melhor amiga e ele o meu melhor amigo.

Pegava nela sempre que podia e seguia-o a ele para os jogos semanais com os amigos, na sede desse grandíssimo clube chamado Vitória Clube do Pico da Pedra, e ficava horas a vê-lo(s) jogar, craque(s) anónimo(s), sentada com a minha amiga.

Via-os a jogar, às vezes noite dentro, para desespero da minha mãe, e entrava em campo no intervalo, a imitá-los. "Olha, uma rapariga que sabe jogar". É verdade, existem. E, hoje em dia, para minha alegria, cada vez mais.

Não foram grande coisa, mas foram os primeiros jogos que vi. Quer dizer, senti. Ainda não o sabia, mas seria o início de um grande amor. Como adepta, jogadora, treinadora e jornalista. Moral da história: joguem, mesmo que mal. Obrigada, pai.

  • Ele não tinha pés de chumbo

    Futebol nacional

    No terceiro dos textos que publicamos esta semana sobre a primeira memória que os jornalistas da Tribuna Expresso têm de um jogo de futebol, Diogo Pombo recorda a estreia do Brasil no Mundial de 1998. E lembra-se de um tipo careca, dentudo e com uma baliza dos dentes, que brincava com toda a gente

  • À memória do tio Cruz

    Futebol nacional

    Nunca saberei que jogo era, mas nunca mais esqueci a minha primeira ida ao futebol. Durante toda esta semana publicamos a memória que os jornalistas da Tribuna têm do primeiro jogo de futebol a que assistiram

  • Senna, o tetra é teu

    Futebol nacional

    No primeiro dos artigos que vamos publicar ao longo desta semana sobre que memórias têm os jornalistas da Tribuna do primeiro jogo de futebol de que se lembram, Lídia Paralta Gomes recorda a final do Mundial de 1994, entre o Brasil e a Itália, realizado no dia 17 de julho nos Estados Unidos, no estádio Rose Bowl, em Pasadena