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Mas que grande bardakarma (e outros quatro eventos para relembrar este fim de semana)

Entre o karma e a magia do 7, são as medalhas que ficam para a história

Alexandra Simões de Abreu

MIGUEL A. LOPES

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Bruno de Carvalho reeleito

Diz o povo que em equipa que ganha não se mexe. Mas em Alvalade a fé é tão grande que o ditado é válido também para equipa que ainda não ganhou, mas promete lá chegar. Que o diga Bruno de Carvalho, este sábado foi reeleito com 86,13% dos votos para um segundo mandato de quatro anos como presidente do Sporting. Já Madeira Rodrigues, apesar de ter anunciado uma equipa nova, não conseguiu mais do que 9,46% dos votos. E no discurso da vitória, Bruno de Carvalho não fez por menos e foi direto ao assunto: “Dizem que eu sou populista, que sou demagogo. Vou dizer uma frase que ficou conhecida com o meu tio-avô, Pinheiro de Azevedo, e o que ele disse foi, ‘Bardamerda para todos os que não são do Sporting’. Esta equipa que eu lidero vai fazer do Sporting campeão e os rivais que hoje acordem, os rivais que hoje estremeçam, o Sporting está aqui para ficar e para liderar”.

Sporting empata, novamente

Isto do karma é tramado. Umas horas depois do tão inflamado discurso, Bruno de Carvalho viu o seu treinador e a sua equipa voltarem a ceder um empate ao V. Guimarães, desta feita em casa e a um golo. Repetindo a igualdade da primeira volta, no Minho (3-3), os “leões” marcaram primeiro, aos 35 minutos, através de Alan Ruiz, mas aos 76 minutos Marega restabeleceu a igualdade. Com este resultado, o Sporting manteve-se no terceiro posto, com 48 pontos, a 11 do FC Porto, segundo, e 12 do líder Benfica.

A magia do 7

Na última vez que o FC Porto tinha goleado uma equipa com sete golos, o atual treinador do FC Porto, Nuno Espírito Santo, então guarda-redes, fez o gosto ao pé e marcou o último dos “dragões”, de grande penalidade. Foi a 8 de março de 2003, em que a equipa então liderada por José Mourinho chegava aos quartos de final da Taça de Portugal diante do Varzim treinado por José Alberto Costa e que viria a descer à Segunda Liga nessa época. Catorze anos depois, agora como treinador, Nuno Espírito Santo vê o seu FC Porto a repetir a goleada por 7-0, frente ao Nacional. E como o sete é um número que tem muito que se lhe diga, o Benfica chegou no sábado, depois de bater o Feirense por 0-1, aos sete triunfos consecutivos (contabilizadas todas as competições), o que nesta altura coloca os “encarnados” como os donos da melhor série vitoriosa entre todas as equipas dos dez principais campeonatos europeus.

ANDREJ ISAKOVIC

Nélson de ouro

Com Nelson Évora o karma também funcionou, mas a seu favor. Depois da separação do treinador de sempre, João Ganso, e da mudança do Benfica para o Sporting, não faltou quem lhe assinasse o fim. Pois bem, o atleta que agora reside e treina em Espanha marcou o regresso à competição com um salto de 17,20 m que lhe valeu ontem a medalha de ouro nos Campeonatos da Europa de Pista Coberta, que decorreram em Belgrado. O campeão olímpico de 2008, 6º nos JO do Rio de Janeiro, fez a sua melhor marca do ano e quando questionado sobre os comentários que o davam acabado para a alta competição, respondeu: "Não posso fazer nada com essas pessoas, elas não me veem a treinar, estão longe de mim e isso pouco me interessa. Deixei os portugueses muito contentes e é o mais importante". O italiano Fabrizio Donato foi medalha de prata com 17,13 metros, e o alemão Mass Hex ficou com o bronze, saltando menos um centímetro (17,12).

Patrícia de prata

Patrícia Mamona voltou a não desiludir e sagrou-se vice-campeã europeia do triplo salto nos Europeus de Belgrado, alcançando a sua terceira medalha europeia na disciplina, depois das conquistadas ao ar livre em 2012, em Helsínquia (prata), e em 2016, em Amesterdão (ouro). A atleta do Sporting abriu a prova com 14,24 metros, num salto em que nem sequer pisou a tábua de chamada. Kristin Gierisch percebeu o recado e logo a seguir fez 14,37 m, melhor resultado europeu do ano, tomando o comando da prova que nunca mais perdeu. Mamona ainda saltou 14,32 m, mas não foi o suficiente para ultrapassar a alemã. O terceiro lugar foi para a grega Paraskevi Papachristou, com 14,24 m. A outra portuguesa na final, Susana Costa, chegou a 13,99 m no segundo ensaio, recorde pessoal em pista coberta (tem 14,34 m ao ar livre), e fechou a participação na sétima posição. No lançamento do peso, Tsanko Arnaudov tornou-se no primeiro português a passar a linha dos 21 metros, em Pista Coberta. No último ensaio da final Tsanko arremessou o engenho de 7.260 kg a 21.08 metros, novo recorde de Portugal que ultrapassa a marca que o atleta já tinha conseguido ao ar livre. Arnaudov foi quarto classificado. No pódio ficaram o polaco Konrad Bukowiecki, com 21,97 metros (nova melhor marca mundial do ano), o checo Tomas Stanek (21,43) e o alemão David Storl (21,30).