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Há um novo líder antes do clássico. Não, afinal não há

Afinal, ficou tudo na mesma. O FC Porto até esteve em vantagem perante o Vitória de Setúbal, mas depois permitiu o empate (1-1) – ou seja, não conseguiu roubar a liderança da Liga ao Benfica, que também tinha empatado, na véspera, com o Paços de Ferreira

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Corona regressou à titularidade... e marcou

FRANCISCO LEONG/GETTY

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Moreirense, Rio Ave, Estoril, Sporting, Vitória de Guimarães, Tondela, Boavista, Nacional e Arouca. Eram nove as vitórias consecutivas na Liga que embalavam o FC Porto antes da receção ao Vitória de Setúbal, nesta 26ª jornada, e era difícil não acreditar numa vitória portista, esta noite, no Dragão.

Não só pela belíssima série de vitórias dos portistas (a melhor da Liga até agora), nem sequer pelo facto de o Vitória de Setúbal não vencer no Dragão (ou Antas) desde 1989, mas essencialmente por isto: em caso de vitória, o FC Porto sabia que passava, pela primeira vez, para a liderança do campeonato, ultrapassando o tricampeão Benfica.

Foi por isso que o FC Porto - esta noite com Layún e Corona (de regresso após a lesão no Bessa) como titulares, nos lugares dos castigados Maxi e André André - entrou em campo com um 4-4-2 profundamente ofensivo, não tanto pelo posicionamento dos jogadores mas essencialmente pelas suas intenções.

A intensidade com que o ataque portista procurou o golo ficou notória desde o primeiro minuto e teve o seu clímax aos 28', quando, na mesma jogada, Marcano, Felipe e Soares, a três tempos, não conseguiram marcar e desesperaram os adeptos.

Antes, o FC Porto já tinha estado perto do golo por várias vezes, tanto por Brahimi como por Alex Telles, mas o guardião Bruno Varela correspondeu sempre - para desagrado dos adeptos, que o assobiaram fortemente quando interrompeu o jogo com queixas físicas, por duas vezes.

A avalanche ofensiva da equipa de Nuno Espírito Santo continuou ao longo de toda a 1ª parte, mas só mesmo em cima do intervalo é que surgiu o golo: Óliver cruzou ao segundo poste e Corona fuzilou a baliza visitante com um grande remate de primeira, com a bola ainda no ar.

O FC Porto finalmente chegava ao golo - e à liderança isolada na Liga portuguesa - e os números à entrada para a 2ª parte não podiam ser mais animadores: oito oportunidades de golo do FC Porto (e zero oportunidades de golo do Vitória de Setúbal) e 64% de posse de bola (36% para os visitantes).

Só que o futebol raramente é tão linear quanto as estatísticas nos querem fazer crer e foi assim que, no início da 2ª parte, numa das raras incursões do Vitória de Setúbal no ataque, Nuno Pinto cruzou, Felipe escorregou, João Carvalho (curiosamente, emprestado pelo Benfica) recebeu e, na cara de Casillas, fez o 1-1. E, outro dado curioso: o Setúbal já não marcava no Dragão desde 2007.

O Dragão, até então ensurdecedor, calou-se momentaneamente e, partir daí, a ansiedade tomou conta dos portistas. "Vamos!", exclamou Marcano para um apanha bolas mais molengão e "vamos!" gritou o Dragão para o equipa, mas o segundo golo não apareceu.

André Silva ainda cabeceou ao poste e Nuno Espírito Santo arriscou o que podia ao tirar Layún e colocar Otávio, mas nem nos sete minutos de compensação o FC Porto conseguiu incomodar mais Varela.

E, no final, os portistas ficaram exatamente com a mesma cara com que ficaram os benfiquistas sábado à noite, após o empate contra o Paços de Ferreira. O Benfica tem 64 pontos e é lider, o FC Porto tem 63 pontos e é 2º classificado. Ou seja, tudo na mesma. E o tira-teimas é já a seguir: dia 1 de abril, às 20h30, há Benfica-FC Porto. Decide o campeonato? Com escorregadelas assim (de um e de outro), talvez não.