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Eu não sou fanático do meu clube, estou apaixonado pelo meu clube

Estudo da Universidade de Coimbra mostra que o cérebro de um adepto comporta-se de forma semelhante ao de alguém envolvido numa relação romântica

Evandro Furoni

Gabriel Bouys/Getty

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Futebol é apaixonante e isto é para ser levado no sentido literal. Ser adepto de uma equipa de futebol não é muito diferente de estar apaixonado, é o que aponta um estudo feito pela Universidade de Coimbra.

A pesquisa estudou o cérebro de 56 adeptos, na sua maioria das claques oficiais da Académica e do FC Porto. Eles foram expostos a vídeos emocionalmente intensos de sua equipa, como o golo decisivo de Kelvin em 2013, e os seus cérebros foram analisados.

E foi então que se percebeu que esses momentos ativam regiões semelhantes às verificadas durante experiências de amor romântico.

O trabalho foi desenvolvido durante três anos por Catarina Duarte, Miguel Castelo-Branco e Ricardo Cayolla, do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde da Universidade de Coimbra.

“Foi observada a ativação de circuitos cerebrais de recompensa que são semelhantes aos que são ativados na experiência do amor romântico”, afirmou Miguel Castelo-Branco.

O estudo ainda mostra que emoções positivas, como um golo importante, tendem a suplantar memórias negativas, como a derrota para um rival.

Os pesquisadores deduzem que isso é um indício de que o cérebro dispõe de mecanismos para suprimir memórias que possam causar ódio tribal. É por este motivo que um adepto não desiste da sua equipa depois daquela derrota dolorosa.

O estudo foi publicado em fevereiro na revista SCAN, uma das revistas de neurociência mais prestigiadas do mundo.