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Operação Jogo Duplo. Mais jogos de futebol sob suspeita: “Estão em causa somas de dezenas de milhares de euros”

Operação da PJ faz mais detidos no mundo do futebol por suspeitas de resultados combinados. Agora foram seis pessoas detidas, entre elas um elemento da claque 'Super Dragões'. Judiciária contou com a ajuda da EUROPOL

Hugo Franco

JEAN-CHRISTOPHE VERHAEGEN

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Operação da Judiciária fez seis detenções e oito arguidos com ligações à indústria do futebol, "pela presumível prática dos crimes de associação criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva, no âmbito da lei da corrupção desportiva".

O Expresso confirmou junto de fonte da investigação que um dos detidos é líder da claque 'Super Dragões'. Mas também há atletas do Oriental, Penafiel e Académico de Viseu.

Trata-se da continuação da investigação realizada pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC), da PJ, há cerca de um ano sobre uma alegada rede de corrupção no futebol de “match fixing” (resultados combinados) de competições oficiais de futebol.

A mesma fonte revela que há mais jogos de futebol sob suspeita (além dos que já tinha sido investigados na primeira operação policial Jogo Duplo). São todos da II Liga e em que participaram estes três clubes durante as épocas 2014/15 e 2015/16. "Estão em causa somas de dezenas de milhares de euros", confirma uma responsável.

A investigação centra-se novamente numa rede asiática, com ramificações na Malásia.

Em comunicado, a PJ revela que foram realizadas 16 buscas domiciliárias em diversas localidades do país: em Lisboa, Vila Franca de Xira, Ovar, Gaia, Porto, Fátima, Sesimbra, Loures, Santa Maria da Feira, Sanfins e Ermesinde.

Além dos detidos foram constituídos ainda mais 8 arguidos e apreendido diverso material relacionado com a prática da atividade criminosa em investigação.

Durante a investigação em curso a Polícia Judiciária contou com a colaboração da EUROPOL e de entidades estrangeiras de monitorização de jogos e a importante cooperação com a Federação Portuguesa de Futebol.

Os detidos serão presentes ao Ministério Público para primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

No âmbito da “Operação Jogo Duplo”, a Polícia Judiciária já tinha detido, em 2016, jogadores da Oliveirense, do Oriental, e também dirigentes do Leixões, presidente incluído. Além disso, quatro empresários e um elemento dos Super Dragões foram igualmente detidos. Estes eram os jogadores: Ansumane (do Felgueiras), Pedro Oliveira (Gafanha), Moedas (Águeda), Rafael Veloso (Belenenses) e André Almeida (Real Massamá).

Reação da FPF

Em comunicado, a Federação Portuguesa de Futebol reagiu, garantindo que o órgão colabora com a Unidade Nacional de Combate à Corrupção, condenando as práticas “criminosas associadas ao futebol”.

Leia na íntegra:

“Em relação aos acontecimentos hoje dados a conhecer no âmbito de uma operação das autoridades públicas competentes em investigação relacionada com suspeitas de corrupção no fenómeno desportivo, vem a Federação Portuguesa de Futebol afirmar:

  1. A FPF acompanha de forma regular e conhecedora o trabalho da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC), nomeadamente no que diz respeito ao desporto e ao futebol;
  2. A FPF reafirma que Portugal não pode ser terreno fértil para comportamentos e ações criminosas associadas ao futebol;
  3. A FPF continuará a trabalhar, no limite das suas competências, para um futebol mais limpo e digno de um país Campeão Europeu.”