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Jogador do Canelas parte nariz ao árbitro aos 2 minutos de jogo

Jogo entre o Rio Tinto e o Canelas termina pouco depois de começar. Árbitro com nariz partido por joelhada. Clube expulsa jogador e este irá a tribunal esta segunda-feira

Hugo Franco e Helena Bento

Michael Dodge

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O jogo de futebol realizado este domingo entre as equipas do Rio Tinto e do Canelas (Série 1 da Divisão Elite da A. F. Porto) durou cerca de dois minutos. Tudo porque um atleta do Canelas, Marco Gonçalves, agrediu o árbitro José Rodrigues.

O incidente aconteceu depois da expulsão do jogador Marco Gonçalves, nª 10 do Canelas, que “num dos primeiros lances da partida agrediu um jogador da equipa da casa e imediatamente o árbitro mostrou o cartão vermelho”, revelou uma fonte da equipa do Rio Tinto, citada pela Lusa.

A mesma fonte esclareceu ainda que, “depois de ter recebido a ordem de expulsão, o jogador rodeou o árbitro e agrediu-o com violência, com uma joelhada, atirando-o ao chão”. O árbitro “foi socorrido de imediato e ele próprio chamou o INEM para ser assistido no local, pois tudo leva a crer que partiu o nariz”. Entretanto, foi confirmado que o árbitro foi atendido no Hospital de S. João, no Porto, tem o nariz partido em três sítios e poderá ser submetido a uma operação cirúrgica.

A polícia entrou depois em campo para serenar os ânimos, acompanhando Marco na saída do retângulo de jogo. A partida foi imediatamente interrompida, por não haver condições para que o jogo continuasse. O jogador comparecerá segunda-feira no tribunal de Gondomar para responder sobre a agressão. Este domingo, Marco Gonçalves afirmou à SIC não se recordar da agressão e pediu desculpa ao árbitro e ao Rio Tinto pelo sucedido. Entretanto, o Canelas publicou um comunicado na sua página de Facebook no qual anuncia que o jogador não mais irá representar o clube e esclarece mais alguns pormenores relativos ao incidente.

Após a interrupção da partida, adeptos de ambas as equipas tentaram reaver o dinheiro que tinham pago pelos bilhetes, gerando uma nova confusão, desta vez junto às bilheteiras.

“O futebol não é ballet”

O clube nortenho tem estado envolvido em vários episódios semelhantes. Em outubro do ano passado, vários clubes decidiram não comparecer aos jogos com o Canelas, em Vila Nova de Gaia, acusando a equipa de intimidar ábitros, jogadores e treinadores adversários. E em fevereiro chegou uma denúncia à UEFA e FIFA contra o clube.

“Apresentámos o caso à FIFA e à UEFA e esperamos novidades em breve”, afirmou o advogado que representa estes clubes, Pedro Macieirinha, nessa altura.

Na época anterior, dirigentes dos clubes adversários já falavam num “clima de terror e intimidação” antes, durante e depois do jogos realizados em Gaia.

O clube é representado por vários elementos da claque dos “Super Dragões”, entre eles Fernando Madureira, que justificou desta forma os episódios de violência da sua equipa: “Jogamos de forma viril. O futebol não é ballet”.

“Corremos o risco de que um dia apareça um árbitro morto num qualquer relvado”

Em declarações à Lusa, Luciano Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), classificou o ato como “vergonhoso” e disse que situações como esta não podem “voltar a acontecer”. “As instâncias têm que pôr mão nisto de alguma forma. Estas situações estão a passar o âmbito desportivo e têm de terminar, porque corremos o risco de que um dia apareça um árbitro morto num qualquer relvado”, afirmou o dirigente.

Luciano Gonçalves disse ainda que situações como esta têm sido “recorrentes” e que se tornou “imperativo” agir e adotar “medidas severas”. “Sinto que estão a querer desvalorizar um assunto muito grave e, atendendo à gravidade das questões que têm vindo a acontecer, é necessário procurar em todas as instâncias soluções para colocar um ponto final nisto de uma vez por todas”.

[Notícia atualizada às 22h15]