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Associação de Adeptos quer ter voz ativa contra a violência no desporto

Associação de Defesa do Adepto queixa-se de ter sido marginalizada nas reuniões de combate à violência no futebol. Defende que nenhuma solução será boa sem ouvir os adeptos e repudia que a liberdade de um cidadão seja agravada aos olhos da lei por usar um cachecol

Isabel Paulo

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Quase a celebrar um ano de idade, a Associação Portuguesa Portuguesa do Adepto (APDA) reivindica ser ouvida pela FPF e entidades ligadas ao desporto nos encontros para encontrar soluções para erradiacar o crescente fenómeno de intolerâcia no desporto, que esta época já contabiliza 44 agressões a árbitros de futebol.

Num comunicado emitido, a associação liderada por João Rolo e Martha Gens alertou que “nunca poderá ser possível uma tomada de decisão acertada sem ouvir aqueles que frequentam as bancadas e subsidiam o desporto, ou seja, os adeptos”. A crítica surge como reação à reunião, quinta-feira, do secretário de Estado de Juventude e Desporto (SEJD), João Paulo Rebelo, com a FPF, a Liga, associações de árbitros, jogadores e treinadores, num debate em que foi equacionado o endurecimento de sanções como forma de dissuadir a violência em torno do futebol.

Na origem da reivindicação da APDA está a agressão a um adepto nas imediações do Estádio da Luz antes do clássico do Benfica-FC Porto. O adepto portista, após insultar um agente da PSD, foi derrubadto, tendo sido pontapeado na cabeça quando já se encontrava imobilizado no chão, atuação que já ditou a instauração de um inquérito disciplinar ao policial.

A APDA não se conforma ainda que as entidades competentes transponham para os adeptos a responsabilidade pelos incidentes causados nos recintos desportivos. “Um adepto que ofende um polícia ou um adepto adversário não pode ver a sociedade a legitimar uma agressão bárbara pela sua má conduta. Quem erra enquanto adepto ou cidadão deve ser detido e presente a tribunal e nunca ser pontapeado já depois da sua detenção”, alerta a APDA.

A Martha Gens, em nome da associação com sede em Lisboa, na vizinhança do Estádio de Alvalade, sustenta que é com algum espanto, “não muito, é certo” que a APDA assiste à tentativa de branquear um problema apresentado outro, visando justificar a agrassão policial com o comportamento dos adeptos.

Em resposta por e-mail ao Expresso, a APDA adianta que não pretende colocar-se em bicos dos pés, nem reclama em exclusivo ser a voz dos adeptos, mas lamenta que a SEJD não tenha ouvido pelo menos os Oficiaãis de ligação aos adeptos, “figura existente em praticamente todos os clubes”.

Ainda segundo a direção da APDA a sociedade passou a legitimar um tratamento aos adeptos que não desculpa em qualquer outra situação. “A liberdade de um cidadão com um cachecol está limitada, qualquer atitude errada é agravada aos olhos da lei se for cometida, por exemplo, nas imediações de um estádio em dia de jogo.

Em relação às claques, a posição da APDA é que são adeptos normais que se organizam para melhor apoiar o seu clube. Embora a direção reconheça ocorrências negativas e que merecem refleção, recusa-se a contribuir para “o manto negativo com que alguns o tentam cobrir as claques .”

“Podemos até afirmar que a tentativa de marginalização das claques, não só em Portugal mas em todo o mundo, foi um dos fatores preponderantes para o aumento da violência do desporto”, comenta a associação de direito privado, formalizada em julho de 2016, para dar voz aos adeptos de todos os clubes, não só de futebol mas de várias modalidades. “Queremos assumir a voz de quem se senta na bancada, atuando de forma preventiva, corretiva e informativa sempre que necessário”, refere a entidade liderada por João Lobo, que há 17 anos mobiliza o movimento de adeptos.