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A Páscoa é jejum? Três golos, três pontos e cinco vitórias seguidas

O Sporting ganhou ao Vitória de Setúbal por 3-0 e reforçou a ideia de que está na sua melhor fase da época. São oito vitórias nos últimos dez jogos para o campeonato e o dérbi é já para semana

Pedro Candeias

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Havia várias formas de contextualizar este jogo.

O treinador que fora jogador, diretor desportivo, treinador e candidato a presidente do clube adversário contra o treinador que fora jogador e treinador - adivinhou - do clube adversário. O presidente em funções que não iria estar no banco por estar castigado a reencontrar o clube com o qual se irritara e de lá fora sacar dois jogadores que tinha emprestado. O regresso de um desses dois jogadores ao banco de suplentes diante da equipa da qual tinha saído em janeiro. E a titularidade de um capitão de equipa que é mais do apenas um tipo com uma braçadeira de capitão - é o xamã e o líder.

Ou seja, e por esta ordem, José Couceiro, Sporting, Jorge Jesus, Vitória de Setúbal, Bruno de Carvalho, Ryan Gauld e Adrien Silva.

Mas havia outra forma, mais certa e mais justa, de lançar este jogo: frente a frente estariam duas equipas relativamente resolvidas com a vida delas nesta época, ambas com bons jogadores o que só podia dar num bom jogo de futebol. É que a pressão é amiga da pressa e inimiga da perfeição, e a ausência da mesma tem um efeito libertador.

Por isso, na primeira parte, em que o Vitória entrou melhor e pressionante e o Sporting se refez para acabar por cima (um golo de Gelson Martins após um disparate de Fábio Cardoso), aconteceram lances duros e viris, mas também boas jogadas de Bruno César, Gelson (Sporting), João Carvalho e João Costinha (Vitória). Tanto assim foi que a estatística denunciava o equilíbrio de que falo: posse de bola dividida a meio, três contra quatro remates, e onze faltas cometidas por cada uma das equipas.

Mas os números escondem a ausência de oportunidades de golo para o Vitória, algo que se manteria na segunda-parte, em que o Sporting esteve melhor, eficaz e intenso. O golo de Alan Ruiz e o de Bas Dost a passe de Alan Ruiz - Jesus diz que eles formam a melhor dupla do campeonato - reforçaram este domínio do Sporting que parece reencontrar aquela solidez defensiva e o jogo rápido e interior (Bruno César renderá sempre mais como médio descaído para a esquerda) com que começou este campeonato e terminara o anterior.

É provável que seja tarde para conseguir alguma coisa em nome próprio, porque faltam cinco jornadas, mas é provável que chegue para deixar a sua marca na época. Porque o dérbi é já para a semana e se o futebol é um jogo e um jogo também é percepção, a ideia que fica é que o Sporting está no seu melhor momento- cinco vitórias consecutivas e nos últimos dez só perdeu um (com o FCP) e empatou outro (com o outro Vitória) - e o Benfica não está.