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Benfica: um tutorial para arrumar um jogo em dez minutos

O Benfica ganhou por 3-0 ao Marítimo num encontro que ficou fechado ao intervalo: um auto-golo e dois golos de Jonas, entre o minuto 35 e o 45, acabaram com a estratégia dos insulares

Pedro Candeias

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Há sempre uma primeira vez para tudo, inclusivamente para fazer a mesma coisa pela segunda vez, coisa que até costuma acontecer no futebol. Só que, por mais estranho que pareça, esta foi a primeira vez que o Benfica repetiu o mesmo onze nesta época em jogos seguidos - a contar para a Liga, evidentemente, porque, se a memória não me falha, Rui Vitória escolhera os mesmos para os encontros consecutivos frente ao Dínamo de Kiev (Champions) e o Belenenses (Liga), em outubro.

Foram 28 jogos com mudanças constantes, muitas por causa de lesões, outras inovadoras (lembram-se quando Vitória rodava os guarda-redes?), e, digo eu, algumas motivadas pela abundância de extremos do plantel. Guedes. Salvio, Carrillo, Zikvovic, Rafa e Cervi. Um, dois, três, quatro, cinco, seis futebolistas para a mesma posição e à disposição de Rui Vitória, que os pôs e dispôs a seu preceito.

Até hoje.

Rui Vitória apostou em Rafa e em Salvio, em Jonas e em Mitroglou, e em Pizzi e em Fejsa, e assim ficaram feitos os pares por sectores: meio-campo, meio-campo ofensivo e ataque. O adversário era o Marítimo, que anda bem lançado por Daniel Ramos, mas havia que aproveitar a oportunidade de jogar primeiro do que o FC Porto (amanhã, 20h30, em Braga).

Ainda assim, os 15 minutos iniciais não correram bem aos encarnados, ansiosos e nervosos, com pressa para furar um bloco baixo que tentava fazer o que outros rivais fazem: fechar Pizzi e condicionar Jonas. Mas, às tantas, apareceu Rafa, provavelmente o homem mais rápido da Liga e certamente mais rápido do que a própria sombra - e do que o seu próprio pensamento. Rafa, que Rui Vitória diz cheirar a golo, deixou um perfuminho do seu futebol ao cruzar a bola para a área que encontrou Luís Martins, e desse encontro nasceu o auto-golo do Marítimo.

E quando ainda Martins e os colegas tentavam refazer-se do que lhes acontecera, Rafa e Pizzi combinaram na esquerda, este último passou a bola a Jonas que chutou fora da área para o 2-0, com direito a um festejo curioso do brasileiro, a coxear, a fazer-se de velho e a fazer pouco dos que lhe chamam de velho. A partir daí, tudo se tornou mais fácil, tranquilo e sentia-se que o Benfica podia chegar ao 3.º, já que é a jogar assim, em contra-ataque, que se sente cómodo. Antes do intervalo, 3-0, por Jonas.

Resumo da matéria dada: quatro oportunidades, três golos; 10 remates, 7 deles enquadrados; 72% de posse de bola. Era previsível que o Benfica ganhasse o encontro, até porque estes números juntavam-se a outros: nos últimos dez jogos diante dos insulares, em todas as competições, os encarnados tinham vencido 8, perdido 2, marcado 34 golos e sofrido 8.

E assim foi. Na segunda-parte, o ritmo desceu porque o Benfica também desceu no terreno, controlando as coisas com relativa margem de segurança. Salvio ainda teve tempo para falhar lances fáceis - como um golo construído por Rafa -, Pizzi poupou o cabedal (substituído) e poupou-se ao cartão amarelo que o deixaria fora do dérbi com o Sporting, e tudo acabou bem para o lado das hostes encarnadas.