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Porque estamos na Quaresma, faz sentido que esteja tudo nas mãos de Jesus

O FC Porto empatou em Braga (1-1) e deixou o rival fugir na classificação. Isso pode querer dizer tudo, mas também não pode querer dizer nada - e tudo depende do dérbi da próxima semana, entre o Sporting e o Benfica

Pedro Candeias

FRANCISCO LEONG

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O equívoco começou logo na conferência de imprensa - Jorge Simão disse acreditar que Nuno Espírito Santo iria começar com Corona e não com André Silva à direita. Não sei se Simão estava a jogar aos mind games com NES, mas o que sei, ou pelo menos acredito, é que o Porto estaria melhor servido com Corona à direita do que com André Silva. É que o português é bom a cumprir dois papéis, sim, mas o de avançado centro e segundo avançado (como na seleção, estão a ver?), e não o de extremo-direito, quando a equipa defende, e o de falso nove, quando a equipa ataca.

Porquê? Porque não tem drible ou vertigem e isso obriga Maxi a subir para extremo e um colega a fazer a compensação no meio-campo. Contra equipas menores, resulta; contra equipas de gama média-alta, nem por isso. E mais: ter André André a 10 e Oliver a médio-interior-direito também não ajuda no instante em que se pede imaginação no último passe.

Nesse flic-flac de enganos, Simão aproveitou a deixa e pôs Pedro Santos ali por dentro, criando a superioridade numérica no centro que lhe permitiu controlar o perigo portista: na primeira-parte, o FC Porto não teve muitas oportunidades (uma flagrante, por Soares, que não passou a bola a André Silva) e o Braga marcou um golo pelo tal Pedro Santos. O mesmo Pedro Santos que falhou uma grande penalidade mesmo, mesmo antes do intervalo de um jogo que até ali fora repartido, batido, aguerrido e intenso. Na segunda-parte, Nuno Espírito Santo tinha de mexer se não quisesse ver o Benfica estacionar em Alvalade com quatro pontos de vantagem.

Foi o que fez. Não no arranque, mas pouco depois do mesmo, ao fazer entrar Corona e a mostrar a saída a Oliver. Não arriscou muito, arriscou um bocadinho, e o Porto passou a jogar com dois extremos a atacar diretamente os adversários, e dois tanques lá à frente para atropelar os centrais. Pouco depois, chegou o empate, por Soares, num canto batido por Alex Telles, porque aconteceu o que normalmente acontece quando os jogadores encaixam no sítio que é deles - a equipa completa-se. E liberta-se.

O FC Porto tornou-se mais rápido e mais perigoso e, por outro lado, também se expôs um pouco mais ao perigo, mas esses são os riscos que se correm quando se emenda o trajeto a meio do caminho - forçado a vencer para não deixar fugir o Benfica, NES fez o seu all-in. E quem ganhou com isto? Nós, os que gostamos de ver jogos da bola abertos, sem vencedores anunciados, ataques, contra-ataques e falhanços (o de Danilo, aos 84’) como aqueles lá de Inglaterra - mas sem os empurrões e os picanços e os encostos de cabeça e os agarrões na garganta e as expulsões cá do burgo.

Brahimi e Vukcevic, que se tinham pegado dentro de campo, foram ambos retirados do campo pelos seus treinadores e o argelino acabou expulso já no banco de suplentes - o que quer dizer que, além dos dois pontos na Pedreira, NES perdeu o seu jogador mais criativo para o próximo encontro. Pode não querer dizer nada ou pode querer dizer tudo - e tudo depende do Sporting-Benfica do próximo fim de semana.

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