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A fortaleza do (outro) Nuno

O FC Porto empatou com o Feirense (0-0) e não aproveitou o empate do Benfica em Alvalade, o que deixa o líder confortável no topo da tabela, com três pontos de avanço sobre os portistas

Expresso

MIGUEL RIOPA

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Fortaleza. É a palavra que Nuno Espírito Santo mais repete nas conferências de imprensa de antevisão dos jogos no Dragão, para relevar a importância do factor casa para os portistas. Só que, esta noite, a fortaleza foi outra - ou melhor, do outro Nuno, Nuno Manta, treinador do Feirense, equipa que impediu de todas as maneiras e feitios que os portistas chegassem ao golo no Dragão.

Nos últimos cinco jogos na Liga, o FC Porto empatou quatro - e empatou também o que poderia ter sido a caminhada com destino à liderança. Tal como aconteceu no jogo caseiro com o Vitória de Setúbal (1-1), os portistas não conseguiram vencer e aproveitar o deslize do Benfica.

E, a quatro jogos do final do campeonato, podem ter oferecido o tetra ao rival.

É certo que o FC Porto, com Diogo Jota no lugar de Brahimi, dominou a partida - teve mais posse de bola, mais ataques, mais remates e mais oportunidades de golo -, mas nunca conseguiu o necessário para vencer: marcar.

Na 1ª parte, aliás, houve mais FC Porto, mas o FC Porto que houve foi pouco contundente e até permitiu que o Feirense fosse chegando algumas vezes à baliza de Casillas - o guarda-redes espanhol impediu o golo dos visitantes depois de um cabeceamento de Karamanos.

Chegado o intervalo, apesar das tentativas de Soares e Danilo (e do apagado André Silva, que marcou, mas em posição de fora de jogo), o FC Porto produzia menos do que o necessário e é provável que todos os adeptos tivessem o mesmo nome em mente: Yacine Brahimi. A criatividade do argelino fez falta na frente de ataque, mas, por castigo, não havia Brahimi. Houve sim um substituto semelhante: Otávio, que entrou para o lugar do desinspirado Óliver.

A equipa melhorou substancialmente na 2ª parte e criou inúmeras oportunidades de golo, mas, aí, surgiu quase sempre o mesmo problema: Vaná Alves. O guarda-redes do Feirense defendeu praticamente tudo o que havia para defender, incluindo aquela que foi a defesa da noite e provavelmente da jornada, a cabeceamento de Maxi Pereira.

Rui Pedro, que tinha dado a vitória in extremis na 1ª volta frente ao Sporting de Braga, também esteve perto de marcar, mas quando não houve Vaná, houve a fortaleza dos homens do Feirense, que se encerraram na própria área e tiraram dali a bola a todo o custo, nos últimos minutos de jogo, em que o FC Porto carregou com mais coração - e cruzamentos - do que cabeça.

Ao todo, já são nove os empates do FC Porto na Liga e, mais uma vez, a equipa de Nuno perde uma oportunidade de ouro de se aproximar do Benfica. Assim, dificilmente se é campeão. Faltam quatro jogos. E já lá vão quatro anos sem o título.