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Bang, bang, Jonas Pistolas

O Benfica sofreu para ganhar ao Estoril. Fê-lo com dois golos de Jonas, o melhor futebolista dos encarnados e, provavelmente, do campeonato, que resolveu um jogo em que os canarinhos tiveram oportunidades para somar um ponto

Pedro Candeias

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Há dias tropecei num texto sobre um dos múltiplos mentores de Pep Guardiola, um tipo chamado Juan Manuel Lillo. Esse artigo, que é mais um perfil do que outra coisa qualquer, remete-nos para o primeiro encontro entre Guardiola e Lillo, quando o primeiro ainda era o jogador e o segundo já era treinador.

A história segue o guião de muitas outras que metem Guardiola ao barulho: o jovem Pep ficou estarrecido com a equipa adversária, no final do jogo (que ganhou, claro) pediu dicas ao treinador, e quando pendurou as chuteiras foi atrás do guru. Neste caso, foi para o México.

Considerações várias à parte sobre Juan Manuel Lillo - aparentemente, ele é o homem que inventou o 4x2x3x1 - há um pormenor que me ficou na cabeça. A dada altura, Lillo fala sobre futebol, possibilidades e probabilidades, e revela-se um pensador da bola. Diz ele que todas as equipas tem a possibilidade de ganhar um jogo, mas que a probabilidade de isso acontecer é algo bem diferente - e esta depende da qualidade. Trocando por miúdos: são onze contra onze, são todos feitos de carne e de osso, mas, nos prós e contras, o peso do jeitinho para jogar futebol é que conta para a contabilidade final.

Como é óbvio, isto é um argumento irrefutável e resta-me acrescentar um pontinho: o bom treinador é aquele que torna prováveis as improbabilidades; e o contrário também é verdade.

Por isso é que este Estoril é melhor do que já foi - porque Pedro Emanuel é melhor treinador do que os que o antecederam. A qualidade estava lá - Ailton, Matheus, Carlinhos e Kléber -, mas faltava quem a potenciasse, quem pusesse esta equipa a jogar olhos nos olhos e sem medo do adversário.

E, isto, Rui Vitória também o tinha dito, recordando aquele jogo para a Taça de Portugal em que o resultado ficou 3-3 apenas, e só, porque o Benfica accionou o pronto-socorro da equipa - Jonas.

O mesmo Jonas que resolveu o encontro de hoje, num penálti rasteiro e num remate terra-ar, um golo na primeira-parte e outro na segunda, que deram os três pontos aos encarnados num jogo em que sofreram para disfarçar duas coisas. Alguma pressão nos primeiros minutos, o que é natural, porque o jogo estava a começar e havia coisas a afinar; e alguma descompressão após o intervalo, o que é antinatural, porque um-a-zero é um-a-zero e os jogos só se ganham no fim.

Foi nesse momento descontrolado que o Estoril surpreendeu com dois remates aos ferros e o golo de Kléber, que se desmarcou nas barbas (se as tivesse) de Lindelöf. O Benfica tremeu - ou “acusou o toque”, como confessou Rui Vitória -, patinou, perdeu bolas e recuperou outras, ouviu os assobios e depois os aplausos, e lá se refez do susto porque, enfim, Jonas tem aquele je-ne-sais-quoi que nós-sabemos-o-que-é: a tal qualidade.

Bang, bang, Jonas Pistolas.

Depois, com o 2-1 e já com Felipe Augusto a trancar o jogo, o Benfica trabalhou até ao fim para segurar a vantagem magra mas que engorda o sonho do tetracampeonato.

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