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O Esquadrão Classe AA

André André fez o remate que deu o primeiro golo a Soares e fez o golo que garantiu, enfim, os três pontos ao FC Porto. Foi o homem do jogo em que Nuno Espírito mudou de planos, mas pode cantar de galo como John "Hannibal" Smith: "I love it when a plan comes together".

Pedro Candeias

MIGUEL RIOPA

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Os anos 80 foram tempos de laca, hair-metal, glam-rock, disco, de kitsch (e do piroso), e de enchumaços. E das séries de televisão que eram tão boas, ou tão más, que foram revisitadas e reconvertidas no futuro. Uma delas era The A-Team, aquele grupo de bons-malandros para-militares liderados por um cinquentão cheio de pinta e com um charuto na boca. Os episódios eram bastante simples: havia alguém que estava aflito e contactava o A-Team, o A-Team resolvia a coisa enquanto fugia ao governo dos EUA. No final, John “Hannibal” Smith, o chefe de que vos falei, dizia sempre o mesmo: “I love it when a plan comes together”. Adoro quando um plano se compõe.

Nada como uma boa catch phrase dos oitenta para lançar este jogo do FC Porto, treinado por um homem dado a frases orelhudas (e desenhos também). “Fortaleza” e “estamos magoados”, as equivalentes “ao nosso caminho” e “ao foco” de Rui Vitória.

Ora, Nuno Espírito Santo é conhecido, ou reconhecido, por estudar ao detalhe os adversários, e é de olho neles que elabora o tal plano para seguir para que tudo se componha. E, nas últimas semanas, NES tem optado por duas estratégias, uma espécie de 4x4x2 híbrido, com André Silva, ou um 4x3x3 à antiga, com Corona à direita e Brahimi à esquerda - em qualquer um dos dois casos, Soares é intocável, tal como Óliver.

Contra o Chaves, sem Danilo (lesionado) e Brahimi (ainda castigado), Nuno Espírito Santo estava obrigado a mexer e foi o que fez, embora o tenha feito mais do que se esperava. Porque deixou André Silva no banco. Porque deixou Óliver no banco. E porque pôs Diogo Jota, Otávio e Corona no apoio a Soares - a entrada de Rúben Neves para fazer de Danilo era óbvia e, por isso, não conta.

Pois então, o que aconteceu foi que o FC Porto entrou benzinho diante do Chaves, que é um bom Chaves, mas já não é o Chaves que teve, por exemplo, Battaglia. Na primeira-parte, as equipas dividiram o jogo a meio-campo, e uma delas cirandou as baliza, sim, mas com pouca objetividade. Os únicos momentos de algum, vá, empolgamento aconteceram nos remates de Rúben Neves que António Filipe defendeu. O Porto defendeu bem e controlou melhor, ocupou os espaços certos, pôs o Chaves a atacar quase exclusivamente por Fábio Martins, mas apresentou cerca de zero criatividade e definição. Mas Nuno Espírito Santo manteve o plano e o plano era este: largura e poder de fogo até abrir o dique.

E, às tantas, já na segunda-parte, aconteceu um disparo de André André que António Filipe defendeu para o lado, e logo apareceu Soares a fazer o 12.º golo em 12 jogos pelo FC Porto. Os níveis de confiança, que tinham baixado por causa dos últimos resultados, subiram e com isso subiu a qualidade portista, de Otávio e, sobretudo, de André André, o pequeno-grande futebolista de passinhos curtos - e certeiros. Foi dele o segundo golo (minuto 72’), um remate com a biqueira da chuteira, que fechou o resultado a sete (cuidado com o trocadilho) chaves.

A partir daí, o FCP pôde gerir o tempo, porque o Chaves se foi abaixo, e só a expulsão de Maxi Pereira (entrada disparatada a pé juntos sobre Davidson) vem acrescentar duas linhas a um crónica ue podia ter terminado há um parágrafo.

Fica o título que explica o arranque do texto: o Esquadrão Classe AA. De André André.

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