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Às vezes, não é preciso muito. Basta Dost

O Sporting venceu o Braga por 3-2 com um hat trick de Bas Dost, claro, que já leva 31 golos em 28 jogos disputados

Pedro Candeias

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Falemos de matrioskas: a história deste jogo estava encapsulada dentro de outra história, de outro jogo disputado há exatamente uma volta; e a história desse jogo, de há quatro meses, estava escondida dentro de uma história mais antiga ainda.

Vamos por partes. Se bem se lembram, há quatro meses, Abel, ou melhor, Abel Ferreira, que isto quando um jogador passa a treinador acrescenta-se-lhe o apelido à frente do nome próprio, vá-se lá perceber porquê - mas, dizia eu, na altura, Abel Ferreira substituiu o despedido José Peseiro, ganhou ao Sporting, voltou à equipa B do Braga, mas antes de puxou dos galões. Disse ele, naquela noite de dezembro, que conhecia o Sporting de Jesus de ginjeira, e aquilo soou a vingança, porque a entrada de JJ em Alvalade coincidiu com a saída dele da equipa B leonina.

Obviamente, o reencontro de Abel Ferreira e Jorge Jesus era o ponto mais interessante do Braga - Sporting, que era o jogo grande da jornada, sim, mas que contava para coisa pouca - tanto um clube como o outro ocupavam, hoje, o mesmo lugar que devem ocupar no final da Liga.

E se o Sporting de JJ é aquilo que todos nós sabemos nos dias que correm, ou seja, uma equipa que vive de Gelson e de Bas Dost, a dúvida era perceber o que seria este Braga. Ora bem, e correndo o risco de vir a ser desmentido já na próxima semana, este Braga de Abel Ferreira volta-se para o 4x4x2, é equilibrado a defender e a atacar, porque mete mais gente atrás quando recua e não tem pressa a subir. Resultado: perde menos bolas, faz menos faltas, está menos exposto ao risco e ao erro.

Isto não é bom, nem é mau, é o que é, porque o Braga acabou por perder em casa por 3-2, um resultado possível com Jorge Simão no banco, que até perdera só por 1-0, com o Benfica, e empatara com o Porto a um golo.

E como é que se chegou até aqui? Com duas boas defesas de Marafona, um bom golo de Ricardo Horta e um penálti falhado por Adrien, tudo nos primeiros 45’ em que o Braga foi esperto e o Sporting mais perigoso, embora apenas pelo lado de Gelson - até Podence entrar para o lugar do lesionado Alan Ruiz. O miúdo que dá pela cintura a Bas Dost é bom a partir os rins aos adversários, e ter dois velocistas à frente é sempre melhor do que um: com ele e sem Alan, o Sporting perde poder de fogo e passes em profundidade, mas ganha intensidade e imprevisibilidade no drible.

Na segunda-parte, Podence e Gelson ligaram o turbo, o Sporting acelerou, empatou de penálti por Bas Dost (penálti), chegou à vantagem também por Bas Dost (cabeceamento após cruzamento de Marvin), deixou que Rui Fonte fizesse o 2-2, e impôs 3-2 pelo inevitável Bas Dost (de cabeça, assistência de Schelotto). Numa era em que a qualidade do jogador se mede pelos golos marcados, Bas Dost é, estatisticamente, o melhor futebolista do campeonato: 31 golos em 28 jogos.