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Jiménez, fé, (in)diretas e “doping tecnológico”

Ou como num único fim de semana tudo pode correr bem a uns e tão mal a outros (e também falamos de corridas, aqui)

Carlos Rodrigues

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Só falta um bocadinho ASSIM…

E pronto, os astros alinharam-se a favor do Benfica, Jiménez incluído. No mesmo fim de semana, o FC Porto empatou, o Sporting perdeu, e Raúl Jiménez foi decisivo, pela sexta vez em duas épocas – as de Rui Vitória. Um golo do mexicano, a 15 minutos do fim, bastou para o clube da Luz vencer o Rio Ave e ficar a uma vitória de festejar o tetracampeonato. Uma vitória. Haja fé, e não só, e a festa poderá ser feita já a 13 de maio, em casa, frente ao V. Guimarães. Se a coisa não correr bem, ainda há a deslocação ao Bessa, na última jornada. Mas o treinador do Benfica sabe que o bocadinho assim pode tornar-se ASSIM – e já avisou: “Tem de se trabalhar muito para se conquistar alguma coisa. Nunca ganhamos nada antes de ganharmos efetivamente. Festejar só depois de as coisas acontecerem.” E concluiu: “Vai ser uma semana intensa”.

O pássaro fugiu…

Será preciso um milagre para o FC Porto conseguir agarrar de novo o pássaro da vitória que deixou fugir, por culpa própria. Mas, se ao Benfica falta um bocadinho ASSIM para ser campeão, ao FC Porto é preciso o dobro da fé e um GRANDE milagre. O empate fora com o Marítimo, a uma bola, este sábado, somado aos empates caseiros com Setúbal e Feirense e fora com o Braga, são um desperdício de pontos, que se paga caro. Até porque a força anímica da equipa, treinador incluído, não deve ter ficado no seu melhor índice. Mas resta esperar para ver o que Nuno Espírito Santo consegue fazer com a equipa, em casa, frente ao Paços de Ferreira, no próximo fim de semana. E o que o Jorge Nuno Pinto da Costa fará com ele, depois da última jornada em Moreira de Cónegos.

Será que foi da hora?

“Este jogo não representa o Sporting em nada. Os adeptos não mereciam sair daqui com este resultado, não merecem o que viram. Pouco me interessa o caudal ofensivo da equipa. A mim interessa-me vencer. Tenho de dizer que, infelizmente, foi um jogo deprimente”. Estas foram as declarações de Bruno de Carvalho à Sporting TV, depois da derrota, em casa, frente ao Belenenses por 1-3. O presidente do Sporting não podia ter sido mais (in)direto no puxão de orelhas a Jorge Jesus, que depois do jogo disse coisas como estas: “O Belenenses nunca criou problemas em termos de dinâmica de jogo”; “Ofensivamente, na segunda parte entrámos bem, com um golo, tivemos sempre melhor do que o Belenenses, não se esperava outra coisa”; e “na maior parte do tempo a equipa esteve melhor, comandou o jogo, fez um golo”. Contas à parte (que praticamente afastam o Sporting da possibilidade de chegar ao 2º lugar), houve quem preferisse atribuir o mau jogo dos “leões” ao facto do encontro ter começado ainda de manhã (11h45). Nem a mítica frase de Marco Fortes – aquela que dizia que, de manhã, só se está bem na caminha – foi esquecida.

À segunda foi de vez

O espanhol Carreño Busta já tinha sido finalista na edição passada do Estoril Open e, desta vez, não deixou escapar o seu primeiro título em terra batida, ao vencer na final deste domingo, o luxemburguês Gilles Muller, por por 6-2, 7-6 (7/5). Carreño Busta festejou efusivamente, de joelhos no chão e, no Dia da Mãe, fez o que se esperava e dedicou o seu triunfo a mãe. “A primeira vitória em terra batida é especial, até porque é a superfície que mais me agrada”, confessou o asturiano que leva para casa, além do primeiro troféu de 2017, um cheque de 85.945 euros e 250 pontos para melhorar o 21.º lugar que ocupa actualmente no ranking ATP.

Faltou um bocadinho assim

26 segundos. Eliud Kipchoge, 32 anos, ficou a 26 segundos de correr a maratona mais rápida de sempre, ou seja, abaixo das duas horas. Só que, se o tivesse conseguido, provavelmente a frustração seria a mesma porque a corrida não contava para quebrar o recorde. É que os atletas contaram com vários auxílios, numa espécie de “doping tecnológico”. Vejamos. Correram numa pista de Fórmula 1 - que não respeitava todas as especificidades oficiais -, tiveram várias "lebres" para os ajudar a manter o ritmo, um carro a protegê-los do vento e as bebidas eram entregues com uma mota. Esta foi uma corrida organizada pela Nike, que forneceu umas sapatilhas especiais e proporcionou todas as condições para otimizar um conjunto de condições e elementos, como a aerodinâmica, a meteorologia ou a nutrição. com o objetivo de que um atleta fosse capaz de terminar a maratona em 1:59:59. Além de Eliud Kipchoge, Lelisa Desisa (Etiópia) e Zersenay Tadese (Eritreia) também eram candidatos a fazê-lo. Mas o recorde mundial continua a ser o de Dennis Kimetto, do Quénia, que completou em 2:02:57 a Maratona de Berlim, em 2014.