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#Futebol. O meu onze deste campeonato

Nelson Marques

Esta é a minha equipa deste campeonato. E a sua, qual seria?

Ilustração Tiago Pereira Santos

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Com a questão do título arrumada e a uma semana da final da Taça de Portugal, a época futebolística em Portugal entra em período de balanço. É uma boa altura para escolher os melhores da Liga NOS, num onze, sem surpresa, dominado por jogadores dos três primeiros classificados do campeonato.

Na baliza, Ederson Moraes. Casillas valeu pontos ao FC Porto nos jogos com os grandes (a defesa que segurou a vitória contra o Sporting no Dragão correu o mundo) e Rui Patrício teve mais uma época a um nível alto, mas o dono da baliza dos tetracampeões nacionais provou que é já, aos 23 anos, um dos melhores do mundo. Não deverá ficar muito mais tempo em Portugal e promete entrar no top dos guarda-redes mais caros de sempre.

A minha defesa é constituída por dois jogadores de cada uma das equipas menos batidas do campeonato: Benfica e FC Porto (16 golos concedidos cada). Nélson Semedo e Lindelöf confirmaram o talento que fez deles revelações da temporada transata e estão no ponto de rebuçado para protagonizar uma transferência milionária para um dos gigantes da Europa.

Os brasileiros Alex Telles e Felipe tiveram um impacto imediato na sua primeira época de dragão ao peito: o primeiro soma apenas menos um passe decisivo do que o líder do ranking das assistências, Gelson Martins; o segundo formou com Marcano uma das melhores duplas de centrais do FC Porto nos últimos anos e estará na mira de clubes como o Real Madrid e o Inter de Milão.

Decisão difícil foi escolher o n.º 6 desta equipa. Danilo (FC Porto) fez provavelmente a melhor época da sua carreira e disputa com William Carvalho o lugar na seleção portuguesa, mas, para mim, o melhor médio defensivo deste campeonato é o sérvio Fejsa, do Benfica, um talismã para as equipas por onde passou: nas últimas 10 épocas, foi sempre campeão. Se não fossem as recorrentes lesões, provavelmente já não estaria na Luz. Sem discussão é a escolha do seu parceiro no meio-campo do Benfica, Pizzi. O pêndulo da equipa de Rui Vitória teve uma participação direta em 1 a cada 4 golos dos encarnados: marcou 10 (é o médio mais concretizador da Liga) e fez 8 assistências. É um sério candidato a melhor jogador da competição.

Gelson Martins aproveitou a saída de João Mário para confirmar que é um dos grandes talentos do futebol português. Do outro lado, o único intruso num onze dominado pelos três grandes: Hernâni, do Vitória de Guimarães. Hesitei entre ele e Brahimi, que esteve quase ostracizado na primeira metade da época no FC Porto, mas ainda foi a tempo de deixar a sua marca. Acabaram por ser os números a decidir a minha escolha: o jogador dos vimaranenses fez 8 golos e somou 5 assistências; o argelino do FC Porto ficou-se pelos 6 golos e por 4 passes decisivos.

No ataque, Bas Dost é indíscutível: os seus 31 golos fazem dele o melhor marcador da Liga NOS e um dos avançados mais prolíficos da Europa. Ao seu lado, Jonas, o melhor marcador e melhor jogador do campeonato passado. Falhou quase meia época por lesão, mas ainda foi muito a tempo de ser decisivo na conquista do Benfica: aquele toque de génio para Sálvio no contra-ataque que terminou com o golo de Jiménez em Vila do Conde foi a chave que abriu a porta do tetracampeonato.