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“Vou pedir uma auditoria externa para explicar aos sócios transferências como a do Rafa”

António Pedro Peixoto, 40 anos, líder da lista B, advogado e ex-jogador de andebol e futsal, não poupa críticas ao estilo presidencialista e pouco transparente do de António Salvador, cujo pecado maior foi ter adquirido o lote de 17% do capital social da SAD, detido até há meio ano pela Câmara de Braga, que garantiria o controle do clube. Pli, como é conhecido no meio, acredita que irá vencer e resgatar o clube, que diz ser gerido como uma quinta privada da administração e não pertença dos sócios e adeptos. O Braga vai a votos amanhã

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António Salvador ganhou as últimas eleições por 86% dos votos. O que o faz correr?
Sou sócio do Sporting de Braga desde pequeno, onde joguei andebol e futsal até há quatro anos. Desde aí é um dos meus objetivos de vida porque não me revejo, tal como muitos adeptos com quem me cruzo na cidade e não só, numa liderança pouco transparente, de tiques presidencialistas, que gere o clube e a SAD como se fosse uma quinta privada.

A que tipo decisões pouco transparentes se refere?
Os relatórios de gestão pouco independentes e muitas vezes feitos à medida. Se a minha lista vencer, e acredito nisso, vou recorrer a uma auditoria externa de três em três anos, e as transferências de jogadores serão explicadas aos sócios, o que não aconteceu, por exemplo, com o Rafa. A razão pela qual a SAD não adquiriu a carteira de 17% das ações da Câmara de Braga é outra decisão nunca explicada cabalmente. Em minha opinião, permitir que a Sundown Investiments, uma sociedade com sede em Londres e da qual não se conhece o rosto, foi o ato de gestão mais lesivo desta administração, pois impediu o clube de ter o controle maioritário da SAD.

A SAD tinha meios para comprar as ações?
Claro que tinha. Por 200 mil euros, António Salvador cometeu o pior erro de gestão da história do clube. A SAD teve 800 mil euros para pagar por um autocarro. Não tinha dinheiro para depois comprar uma roda? A verdade é que agora a SAD está nas mãos de terceiros e não na nossa.

Quais são as suas principais propostas de mudança?
Para além da forma mais participada ao nível da gestão, a minha prioridade será devolver a identidade perdida do clube, cada vez mais divorciado da cidade e dos adeptos. A prova de que os sócios estão desmobilizados é que já foram 30 mil, a meta de crescimento de António Salvador era a de chegar aos 40 mil, e hoje somos 20 mil. É muito pouco para um presidente que já afirmou que somos o quarto maior clube português, ter a ambição de ser a terceira maior força desportiva do país e ganhar o título nacional. Esteve lá perto e voltou a afastar-se da frente...

O título nacional é uma ilusão?
Não é. Tenho confiança que seremos capazes de conquistar o título, desde que sejam criadas condições desportivas e de contexto para garantir estabilidade à equipa. E com António Salvador está visto não ser possível. O clube cresceu, sem dúvida com a gerência do atual presidente, atingiu um pico no início da década, mas estagnou nos últimos anos e corre até o risco de retroceder.

A falta de estabilidade deve-se a quê? À constante troca de treinadores?
Não vou pronunciar-me se houve ou não razões para despedir dois treinadores esta época. Não acompanhei da equipa por dentro para saber se os despedimentos eram ou não inevitáveis. Mas saber escolher bem os treinadores para uma determinada equipa é um ato de gestão.

Abel Ferreira, o terceiro técnico da época finda e apoiante de Salvador, mantém-se caso vença amanhã?
Será o meu treinador. Tem contrato, é um treinador que conhece o clube e merece confiança.