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Liga proíbe cigarros e cuspidelas e deixa passar claques ilegais

Novo regulamento disciplinar da Liga Portugal proíbe agentes desportivos de fumar, inclusive cigarros eletrónicos, nas zonas técnicas dos estádios, bem como de expelir saliva na direção de dirigentes, jogadores e outros profissionais de futebol. Sporting queixa-se que medida é palhaçada e ataque pessoal a Bruno de Carvalho

Isabel Paulo

Paulo Cordeiro/Freelancer

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Na próxima época, fumar e “expelir fumo ou qualquer outras substâncias, tais como saliva,” em direção de dirigentes, jogadores ou quaisquer outros agentes desportivos será considerado “revelador de indignidade agravada”, atitudes penalizadas com multas de € 3.000 a € 250.000, o dobro se os prevaricadores forem reincidentes.

A proposta foi avançada pelo Benfica, esta segunda-feira, na Assembleia Geral da Liga Portugal, e aprovada com os votos favoráveis dos encarnados, do Vitória de Setúbal, Famalicão e Arouca, e os votos contra dos novos aliados FC Porto e Sporting, enquanto os restantes clubes optaram por se abster. De todas as alterações introduzidas nos regulamentos do organismo que tutela o futebol profissional, o artigo 136-A, a vigorar na época 2017/18, foi o que gerou maior tumulto entre os representantes do clube de Alvalade na sede da Liga, no Porto, medida que Bruno Mascarenhas “uma palhaçada e uma perseguição” ao líder leonino.

Bruno de Carvalho, fumador de cigarros eletrónicos, foi acusado na época passada de ter cuspido em Carlos Pinho, presidente do Arouca, no final do jogo que o Sporting venceu por 3-0, em Alvalade, durante um confronto no túnel em que os dois dirigentes se queixaram de insultos e agressões. O presidente do Sporting, absolvido da acusação em abril último, negou sempre ter cuspido no líder do Arouca, explicando o que se via nas imagens-vídeo.

A solução avançada pelo arquirival é vista nas hostes sportinguistas como uma provocação a Bruno de Carvalho, afirmando o dirigente do Sporting Bruno Mascarenhas que a proposta é inaceitável e uma aberração “que terá consequências jurídicas”.

Claques à rédea solta

Já o FC Porto viu ser reprovada a proposta de interdição dos estádios dos clubes que apoiem direta ou indiretamente claques não legalizadas, uma sanção que visava em particular o Benfica, clube que nunca legalizou as suas claques, entre as quais os Diabos Vermelhos e os No Name Boys, grupo organizado a que pertence Luís Pina, acusado de homicídio do adepto italiano e simpatizante do Sporting, Marco Ficini, mortalmente atropelado em abril.

A versão inicial do único ponto decidido por voto secreto era de quatro a 12 jogos de interdição de campo, tendo sido feita nova proposta de dois a quatro jogos de interdição de recinto (o dobro em caso de reincidência), mas a sanção acabou por ser chumbada. Em Portugal, são 23 as claques registadas no Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), legalização prevista por lei desde 2009, embora não esteja prevista por via legislativa qualquer sanção para a falta de registo dos Grupos Organizados de adeptos (GOA) junto do IPDJ.

Segundo informação do IPDP, o regime sancionatório prevê contra-ordenação e aplicação de coimas de € 2.500 a € 250.000 e penalização acessória de jogos à porta fechada, por um período até 12 jogos, mas a penalização só se aplica caso se comprove que as claques recebem qualquer tipo de apoio por parte dos clubes a que são afetas.

Entre muitas outras propostas aprovadas pelo organismo liderado por Pedro Proença, os clubes da Liga passam a ser multados até €300, se impedirem o funcionamento do vídeo-árbitro nos jogos nos seus recintos.

A época 2017/18 arranca a 6 de agosto com a disputa da Supertaça entre o Benfica e o Guimarães, dia do início da Leadman Liga Pro, enquanto a primeira jornada da Liga NOS está agendada para dia 9.