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Hermínio Loureiro detido por suspeita de corrupção

Ex-presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis é um dos sete detidos pela Judiciária do Porto por suspeita de crimes de corrupção, prevaricação, peculato e tráfico de influência. Isidro Figueiredo, atual presidente da Câmara, um secretário da autarquia e outros quatro empresários também foram detidos

Micael Pereira e Isabel Paulo

Hermínio Loureiro é atualmente vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol

José Carlos Carvalho

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Hermínio Loureiro, autarca que deixou a Câmara de Oliveira de Azeméis em janeiro deste ano, foi detido hoje pela PJ do Norte, no âmbito de um inquérito-crime coordenado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Aveiro e que levou à realização pela Polícia Judiciária de 31 buscas simultâneas, que incluem cinco câmaras e cinco clubes de futebol locais.

Além de Hermínio Loureiro foram também detidos o atual presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis, Isidro Figueiredo, um secretário da autarquia e quatro empresários, confirmou o Expresso.

De acordo com um comunicado divulgado esta segunda-feira, o inquérito-crime foi baptizado de Operação Ajuste Secreto”. Nas buscas estão envolvidos 90 inspetores da diretoria do Norte da Polícia Judiciária, recaindo sobre os detidos fortes indícios da existência de relações privilegiadas entre eles, relacionadas com a adjudicação de diversas obras em diferentes localidades, “manipulando as regras da contratação pública”, adianta a nota divulgada pela PJ.

A seção do DIAP de Aveiro em Santa Maria da Feira, que conduz a investigação, suspeita de crimes de corrupção ativa e passiva, prevaricação, peculato e tráfico de influência.

O primeiro interrogatório judicial será feito esta terça-feira no Tribunal de Santa Maria da Feira.

A Câmara de Gondomar confirmou ao Expresso ter sido outra das autarquias alvo de buscas, sendo os clubes de futebol visados todos do concelho de Oliveira de Azeméis.

A renúncia de Hermínio Loureiro do cargo de presidente da Câmara, em janeiro, causou enorme surpresa dentro da estrutura local do PSD e também ao nível da direção nacional do partido. O ex-autarca alegou ter saído sem segundas intenções, rejeitando a ideia de que pudesse ter algo na manga. Questionado na altura pelo Expresso sobre a existência de uma eventual investigação judicial em curso, respondeu que a sua vida era "um livro aberto", tendo convidado os "céticos" a pesquisarem junto do Ministério Público, da Polícia Judiciária e dos tribunais se haveria alguma coisa contra ele. "Todas as decisões como autarca foram validadas pelo Tribunal de Contas. Herdei um município com um passivo de 56 milhões de euros e deixo uma dívida de quase 22 milhões", afirmou então ao Expresso.

Eleito pela primeira como presidente da câmara em 2009, quando conseguiu 45% dos votos para o PSD, Hermínio Monteiro chegou a acumular o autarquia com a presidência da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, cargo que ocupou entre agosto 2006 e junho de 2010. Em 2012 tornou-se vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Antes disso, integrou os governos de coligação PSD/CDS de Durão Barroso, entre 2002 e 2004, e de Pedro Santana Lopes, entre 2004 e 2005, como secretário de Estado do Desporto. Foi ainda sucessivamente eleito como deputado entre 1995 e 2006, ocupando várias posições de destaque no PSD, incluindo o de secretário-geral adjunto e de vice-presidente da comissão política distrital de Aveiro.