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Sindicato da PSP: próximas “ações de protesto” podem já acontecer na final da Supertaça

Associação Sindical dos Profissionais de Polícia espera reunir-se “em breve” com a Inspeção-Geral da Administração Interna e com o Ministério da Administração Interna para discutir o modelo do policiamento do futebol profissional

Helena Bento

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Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP), garantiu esta terça-feira ao Expresso que as ações de protesto contra o não pagamento de gratificados aos elementos do Corpo de Intervenção que fazem o policiamento dos jogos de futebol vão “continuar”. Próximos protestos podem acontecer já no jogo da final da Supertaça entre o Benfica e o Vitória de Guimarães, que se disputa no dia 5 de agosto, no Estádio Municipal de Aveiro.

Esta terça-feira, a direção nacional da ASPP/PSP reuniu-se para decidir os próximos passos do sindicato relativamente a este assunto. Do encontro saiu a decisão de solicitar duas reuniões, uma com a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) e outra com o Ministério da Administração Interna (MAI). “Consideramos que é necessário fazer uma inspeção à utilização dos recursos e valências dos elementos da polícia que, no nosso entender, estão a ser utilizados em benefício dos clubes”, afirmou Paulo Rodrigues, que espera que as reuniões “sejam céleres” ou que pelo menos “haja uma resposta objetiva e concreta sobre esta situação”.

O presidente da ASPP/PSP denunciou o facto de os clubes de futebol “não garantirem um número suficiente de agentes em relação àquilo que está estipulado na lei, obrigando à mobilização do corpo especial de polícia, cujos agentes cumprem um serviço que não é da sua missão e pelo qual não são remunerados”. Além disso, “são muitas vezes chamados a trabalhar em dias de folga”, acrescentou Paulo Rodrigues, que defende que sejam as empresas que organizam os eventos a assegurar a sua segurança, pagando o que está estipulado na lei para utilização dos serviços da polícia nas suas horas de descanso.

A ASPP/PSP insistiu na segunda-feira à Lusa que cerca de 30 elementos do Corpo de Intervenção da PSP do Porto recusaram-se, de facto, a fazer o policiamento dentro do estádio D. Afonso Henriques, onde no domingo se disputou o jogo entre o Vitória de Guimarães e o FC Porto. Fonte da direção da associação sindical adiantou que os elementos em causa “informaram a hierarquia que não iam entrar” no estádio como forma de protesto contra o não pagamento de gratificados.

Os elementos do Corpo de Intervenção terão apenas acompanhado os adeptos do FC Porto entre os autocarros e a entrada do estádio, referiu a ASPP/PSP, garantindo que apenas as equipas de intervenção rápida, que são pagas para fazer esse serviço, entraram no campo de futebol.

Num comunicado divulgado na segunda-feira, a direção nacional da PSP negou este protesto e garantiu que o jogo de futebol em causa decorreu dentro da normalidade e de acordo com o planeamento elaborado pelo Comando Distrital da PSP de Braga. “Os polícias do Corpo de Intervenção, que, ao longo dos anos, têm sabido cumprir exemplarmente todas as missões que lhe são atribuídas, incluindo em jogos de futebol de risco elevado, cumpriram mais uma vez o planeado e o que deles se esperava, garantindo a deslocação em segurança dos adeptos do clube visitante e ficando de reserva nas imediações do estádio, durante todo o decurso do jogo”, adianta o comunicado.

Paulo Rodrigues diz que a ASPP/PSP tem vindo, “nos últimos quatro anos”, a alertar o Governo para a necessidade de rever os modelos de policiamento de futebol profissional, mas que nada mudou ao longo desse tempo. “Já fizemos tudo o que havia a fazer junto das várias entidades competentes, que não manifestaram qualquer preocupação relativamente a isto”, disse o presidente. “Assim, não nos resta outra alternativa senão passar às ações de protesto para que esta situação seja resolvida”, acrescentou.