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Começar como se acabou, mas desta vez nem foi preciso máscara - bastou ter Pizzi

O Benfica levantou pela 7.ª vez a Supertaça, vencendo o V. Guimarães (3-1), tal e qual como há uns meses no Jamor, na final da Taça de Portugal. Os encarnados começam assim tal como terminaram e Pizzi parece que ainda está na forma do ano passado

Lídia Paralta Gomes

JOSE COELHO/LUSA

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Com erros destes, nem é preciso trazer máscara. Basta estar atento. Ou ter Pizzi. O Benfica arranca a época como terminou a última, batendo o V. Guimarães (agora por 3-1) e levantando um troféu, num encontro com altos e baixos para os encarnados mas em que a matreirice e o talento do médio internacional português bastaram para vencer uns minhotos que começaram muito mal, melhoraram muito na 2.ª parte e tombaram graças a erros individuais mais ou menos inadmissíveis quando se está a disputar um troféu.

O último dos quais aconteceu a sete minutos do fim e deu o 3-1 final ao Benfica, quando o Vitória já tinha ameaçado o empate uma série de vezes. Marcou Jimenez, que desta vez não levou máscara, só precisou de seguir o estratega Pizzi, que entre o casamento, a Taça das Confederações, a lua-de-mel e um par de dias de férias, parece que ainda está na forma da última época.

A entrada do Benfica, diga-se, muito contribuiu para o triunfo, o 7.º do Benfica na Supertaça. Foi uma verdadeira entrada de leão (e esqueçamos as referências clubísticas), face a um V. Guimarães em modo gatinho, a dar espaços até mais não, que os encarnados aproveitaram para fazer dois golos nos primeiros 11 minutos.

O primeiro chegou aos 6’, ainda o povo saboreava os primeiros momentos da nova época. Miguel Silva é enganado por um cruzamento na esquerda do ataque do Benfica que sofre um ressalto pelo caminho, só tem tempo para sacudir a bola para a frente, onde se encontrava Jonas, o sempre oportuno Jonas, que fez o primeiro golo de 2017/18 com um remate para a baliza deserta.

O golo era madrugador, mas não surpreendente. Nos primeiros minutos praticamente só se jogou no meio campo vitoriano e o Benfica não tinha qualquer dificuldade em recuperar a bola, por entre o enorme espaço entre linhas dos minhotos.

E por isso o segundo não tardou, num dos primeiros momentos Pizzi da noite. Sempre atento, o médio soube ainda antes de Zungu que este ia perder a bola, que rapidamente recuperou para quase tão rapidamente colocar em Seferovic. O suíço recebeu a bola quase a meio campo, correu isolado para a baliza e com enorme sangue frio colocou por baixo do corpo de Miguel Silva.

FRANCISCO LEONG/Getty

Os dois golos deram descanso ao Benfica e permitiram ao Vitória tentar organizar-se, tarefa quase nunca conseguida, com a linha média raramente a conseguir combinar com o ataque. Mas tanto tentaram os minhotos que na reta final da 1.ª parte conseguiram mesmo incomodar o Benfica, num remate de Hélder a cruzamento de Rafael Marques, ao qual Varela respondeu com uma bela mancha.

E depois marcaram.

Aos 43 minutos, João Aurélio cruzou largo, a bola sobrevoou a área e parecia dirigir-se para lá da linha final, mas Hélder acreditou e com um toque acrobático manteve a jogada viva. Talvez surpreendido, Varela saiu mal ao lance, socou para trás, mesmo para o sítio onde Raphinha estava sozinho e pronto a encostar. Portanto, 2-1 e jogo relançado para a 2.ª parte.

Relançado e bem relançado, já que o Vitória apareceu bem mais organizado e afoito após o intervalo e o empate só não surgiu aos 59 minutos porque Hurtado, na tentativa de fazer um bonito toque de calcanhar só com Varela à frente, tornou tudo bem feio ao chutar contra o próprio pé. Um lance algo cómico - menos para o V. Guimarães, certamente.

O lance acabou mal, mas mostrou algo aos minhotos: a defesa do Benfica estava lenta, frágil e era possível aproveitar. Começava aqui então o melhor período do V. Guimarães, bem a trocar a bola e a chegar com muita facilidade à área do Benfica.

Rui Vitória ainda demorou, mas ao ver o caso mal parado tirou Salvio para colocar Filipe Augusto e voltar a ganhar o meio campo. A aposta foi certeira: Pizzi voltou a ficar liberto para as tarefas ofensivas e para espalhar inteligência pelo campo.

(Pelo meio, um clássico: lesão de Grimaldo e a entrada de Eliseu).

Carlos Rodrigues/Getty

Os últimos dez minutos foram de risco total do Guimarães, com a entrada de Xande Silva e Estupiñan. No Benfica, Vitória trocou Jonas por Jiménez e o mexicano, que já tinha marcado na final da Taça de Portugal, voltou a responder bem.

Num golo que muito fez lembrar o 2.º tento encarnado, Pizzi cheirou o erro de Raphinha, que com um mau passe deixou uma bola perdida à mercê do médio português. Este, mais rápido a encontrar espaços que um tubarão branco a encontrar sangue, viu Jiménez a desmarcar-se e colocou-lhe uma bola que o mexicano, desta vez sem máscara, tratou bem, com um belo remate em arco.

E com erros destes, o difícil é mesmo não aproveitar. Ainda que ajude muito ter Pizzi.