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Maniche comprou um clube na Madeira. E vai viver na ilha para cumprir o sonho do sr. Zé da rouparia: “Não sou maluco”

O ex-internacional português Maniche comprou a Associação Desportiva da Camacha e vai mudar-se para a Madeira. Porquê? O novo investidor do clube explicou-o aos sócios com um recuo à infância

Marta Caires

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Nuno Ribeiro, Maniche para o mundo da bola, apresentou-se aos sócios da Associação Desportiva da Camacha como o investidor quer modernizar o clube, melhorar as instalações, encontrar novas glórias e gerir sem dívidas.

Parece um sonho, mas é mesmo real.

Na apresentação realizada no auditório do clube, quinta-feira à tarde, em que a Tribuna Expresso esteve presente, o novo investidor da Camacha - clube do Campeonato de Portugal - falou de objetivos, planos e crescimento desportivo sustentado. Mas o melhor da apresentação veio depois.

Questionado sobre as razões pelas quais tinha escolhido a Camacha, freguesia do interior da Madeira, com um clube modesto que milita no 3º escalão do futebol português, o antigo internacional português explicou-se melhor, falando do passado, de quando era um miúdo que vivia num bairro social e só recebia brinquedos pelo Natal.

É que o campo da Camacha fica na Nogueira, imediações de um dos maiores e mais problemáticos bairros sociais da Madeira, e, pelas palavras de Maniche, isso terá contado na decisão. “Escolhi a Camacha porque acima de tudo falamos a mesma linguagem. Não só de futebol, mas em princípios de vida, de humildade. Eu construí a minha carreira com muito trabalho, vivi num bairro social também - temos aqui um ao lado. Sei o que é ter dificuldades, sei o que é ter êxito, sei o que é ter sucesso também e desculpem a imodéstia. Acima de tudo sei das dificuldades quando queres um brinquedo e não o podes ter ou tens só no Natal com o esforço dos teus pais”, explicou.

Os princípios contaram, claro, mas Maniche quis sublinhar que não veio apenas por isso: leva muito a sério o investimento que acaba de fazer. “Não sou louco, não sou maluco. Não venho aqui pôr o meu dinheiro – e devo salientar que é um investimento próprio, meu – e vou para o continente viver descansadamente sem ter a noção do que aqui se está a fazer”, disse. E essa foi a outra revelação da tarde: o ex-jogador do FC Porto vai viver na Madeira.

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Gregório Cunha

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Maniche, o novo líder do Camacha
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Maniche, o novo líder do Camacha

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Gregório Cunha

No que diz respeito aos planos de futuro para o Camacha, Maniche quer uma subida à 2ª Liga, até porque essa é a ambição dos sócios - e do senhor Zé da rouparia, que trabalha no clube há mais de 30 anos e que na primeira conversa com o novo dono falou desse sonho. Maniche acredita que é possível, mas “não há magia” e a subida tem de acontecer com um passo de cada vez.

O primeiro passo foi a parceria apresentada, da qual não se conhecem os pormenores: Maniche não quis revelar o valor do investimento, nem a percentagem que lhe cabe.

A Associação Desportiva da Camacha – clube onde Leonardo Jardim começou a carreira de treinador – ainda não é uma SAD. Os sócios vão votar a criação da SAD este sábado, mas para Nuno Ribeiro o compromisso está assumido. O próprio já se assume como o presidente de todos os adeptos e sócios do Camacha. Até porque, apesar de ser o investidor, não quer que o clube perca a mística e que deixe ser dos sócios.

Não foi por acaso que se apresentou perante uma plateia de sócios fundadores, que começaram o clube em 1978, na mesma freguesia onde a colónia britânica residente na Madeira organizou a primeira partida de futebol em Portugal, corria então o ano de 1875 - e o futebol estava longe de ser o que é hoje.

140 anos depois, um jogador de futebol retirado decide investir num clube, também porque, como lembrou, quando a carreira de um futebolista acaba, é preciso fazer alguma coisa. Maniche optou por comprar um clube.