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Paulo Gonçalves constituído arguido no caso dos e-mails do Benfica

Fonte oficial do clube afirmou que a constituição de Paulo Gonçalves como arguido “não reside em nenhuma suspeita concreta do processo”. Resulta, antes, das “exigências do próprio estatuto da Ordem dos Advogados, que determina sempre que um advogado forneça informação no âmbito de um processo”

Helena Bento, Pedro Candeias e Hugo Franco

Luís Filipe Vieira e Paulo Gonçalves, presidente e assessor jurídico do Benfica, têm sido visados pela justiça

JOSÉ COELHO / LUSA

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Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica, foi esta quinta-feira constituído arguído no caso dos e-mails, na sequência das buscas efetuadas pela Polícia Judiciária ao Estádio da Luz.

Fonte oficial do clube afirmou que a constituição de Paulo Gonçalves como arguido “não reside em nenhuma suspeita concreta do processo”. Resulta, antes, das “exigências do próprio estatuto da Ordem dos Advogados, que determina sempre que um advogado forneça informação no âmbito de um processo”. “Por isso um elemento da Ordem esteve presente a acompanhar essa diligência”, acrescentou a mesma fonte.

O caso dos e-mails começou quando o Porto Canal passou a revelar o conteúdo de correio eletrónico dos encarnados os quais, segundo os responsáveis do FC Porto, configuravam tráfico de influências junto da arbitragem. De acordo com o FCP, as trocas de bilhetes entre elementos da FPF e do Benfica, relatórios de arbitragem, comunicações entre Paulo Gonçaves e responsáveis pela classificação dos árbitros, fazem parte do rol de indícios de alegada corrupção desportiva. A PGR confirmou a ocorrência num comunicado aqui em baixo:

Ao abrigo do disposto no art. 86.º, n.º 13, al. b) do Código de Processo Penal, a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa torna público o seguinte:
No âmbito de um inquérito da 9ª secção do DIAP de Lisboa foram emitidos mandados de busca domiciliária e não domiciliária, relativos a investigação em curso pelos crimes de corrupção passiva e activa.
No inquérito investiga-se a prática, por parte de um suspeito, dos referidos crimes, relacionados com os denominados emails do Benfica
.
A operação encontra-se em curso, contando com a presença de 4 magistrados do Ministério Público, 2 Juízes de instrução e 28 elementos da PJ, incluindo Inspectores e Peritos financeiros e contabilísticos e informáticos”.

Embora tenha começado por negar a presença de inspetores da PJ na Luz, o Benfica confirmou depois: “Chegaram há cinco minutos aqui”.

Segundo a “Sábado” as casas de Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, e de Pedro Guerra, comentador televisivo afeto ao clube, também estarão a ser alvo de buscas.

O Benfica pediu ao Tribunal Cível do Porto que interpusesse uma providência cautelar para impedir o Porto Canal de continuar a revelar os e-mails, mas a mesma foi indeferida porque, considerou o juíz, isto não entra “no instituto da concorrência desleal”.