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Pistas para o VAR. O que aconteceu na Vila das Aves? As anomalias têm de constar nos relatórios? E o que dizem a Liga e a FPF?

A comunicação de anomalias no sistema VAR (Vídeo Assistent Referee, em sigla inglesa) são da competência dos assistentes do sistema vídeo-árbitro, razão pela qual Nuno Almeida não mencionou a falha no relatório de jogo do Aves-Benfica. O caso do apagão já foi reportado ao International Board

Isabel Paulo

Gabriele Maltinti/Getty

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A falha de comunicações entre os assistentes vídeo-árbitro Vítor Ferreira e Valdemar Maia e a equipa de arbitragem do jogo entre o Desportivo das Aves e o Benfica, aos 66 minutos, no passado domingo, já foi comunicada ao International Board, o organismo da FIFA que está a monitorizar o sistema VAR em cinco campeonatos, na época de teste em curso.

Fonte próxima da arbitragem nacional referiu à Tribuna Expresso que o envio dos relatórios dos assistentes VAR é obrigatório desde o início da época, não só na Liga Portuguesa, como nas ligas de futebol de Itália, Alemanha, EUA e Austrália, os campeonatos cobaias da nova tecnologia de auxílio à arbitragem.

“O IFAB, em Bruxelas, está a compilar todos os dados dos relatórios dos assistentes VAR de forma a ponderar, no final da época, se o videoárbitro introduziu melhorias na arbitragem, ou não, análise que ditará de o videoárbitro é para adotar nas provas nacionais dos restantes campeonatos ou se será revertida”, explicou ao Expresso fonte próxima do processo, acrescentando que Nuno Almeida, o árbitro da partida, “não mencionou, nem tinha de mencionar, a avaria do sistema, dado esta ser uma competência exclusiva dos assistentes do videoárbitro”.

O Conselho de Arbitragem da FPF, liderado por José Fontelas Gomes, só ontem comunicou à Liga Portugal a causa do apagão do VAR no jogo que acabou com a vitória do Benfica (3-1), tendo o terceiro golo resultado de um duvidoso penalti sobre Pizzi e convertido por Jonas aos 78 minutos: um problema na base de interligação do sistema de rádios que permite o envio do sinal áudio da equipa de arbitragem para o centro de videoarbitragem, em Oeiras.

Pedro Proença, a quem cabe transmitir a informação aos clubes associados da Liga, não ficou satisfeito com a explicação, razão pela qual solicitou de imediato uma averiguação ao caso junto do Conselho de Arbitragem, que reúne hoje e decidirá a eventual abertura de inquérito.

O incidente que marcou a 9ª jornada da Liga surge dois dias depois de a APAF ter anunciado uma greve dos árbitros aos jogos da Taça da Liga, em novembro e dezembro. À Lusa, Luciano Gonçalves anunciou que a paralização dos árbitros do principal escalão não é uma ameaça, mas um aviso concreto, indisponibilidade justificada com a contestação ao setor. Em causa estão nove jogos da terceira fase da Taça da Liga.

“Não faz sentido estarmos constantemente a pôr em causa a seriedade dos árbitros. Criticar a arbitragem e os erros faz parte. Pôr em causa a seriedade e honorabilidade não, quando temos locais próprios para analisar se é verdade ou não”, afirmou o líder da APAF, lamentando o tratamento diferenciado, pela negativa, dos árbitros: “Temos um jogador ou um jovem guarda-redes que comete um erro e recebe, e bem, elogios de futuro talento. Quando acontece com um árbitro, é um futuro corrupto”, rematou.

Sobre a anunciada greve, a assessoria da Liga remeteu a questão para a FPF é quem tutela a arbitragem: “As questões dos árbitros são com a FPF e o Conselho de Arbitragem, a quem a Liga paga para prestar um serviço à Liga”.

A FPF também se escusou a comentar a paralisação ou a confirmar se estão marcadas reuniões entre o Conselho de Arbitragem e a APAF. O Expresso tentou contatar sem sucesso Luciano Gonçalves.