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177 jogadores desempregados? São mais, diz o Sindicato

Instituto do Emprego e Formação Profissional contava em julho 177 futebolista em situação de desemprego. Líder do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista, sustenta que a estatística fica aquém do número real

Isabel Paulo

© Rafael Marchante / Reuters

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O presidente do Sindicato dos Jogadores afirma, em entrevista à Lusa, que os números apresentados pelo IEFP desde janeiro não refletem a totalidade de jogadores profissionais, ainda no ativo, mas que se encontram desempregados ou recentecemente retirados. Para Joaquim Evangelista, a discrepância de números entre os 177 futebolistas inscritos no IEFP e os em situação efetiva de desemprego deve-se a um “estigma relacionado com o funcionamento do sistema desportivo”.

O líder sindical sustenta que, em geral, os atletas sem colocação acreditam que irão assinar um novo contrato através dos seus empresários ou das suas redes de contatos, razão pela qual não procuram “outras medidas de procura de emprego”. A atitude passiva de um plano B prevalece ainda quando terminam a carreira, esperando “muitos que o telefone toque” com uma proposta para serem treinadores ou dirigentes.

“Quem se inscreve no centro de emprego é quem já não pensa continuar a sua carreira ou, nos caso dos amadores, quando se inscrevem fazem-no indicando a profissão que têm fora dos relvados”, diz. Para combater o desemprego na classe, o Sindicato organiza deste 2001, no defeso, estágios para desempregados, uma iniciativa que assegura ter registado uma taxa de empregabilidade de 59,24%.

Este verão, Evangelista avança que o estágio contou com 54 participantes, tendo 32 arranjado clube, jogadores que além da componente treino tiveram ainda formação em áreas diversificadas: integridade, relação laboral desportiva, intermediação, saúde, nutrição e coaching. Na tentativa de criar novas oportunidades face à baixa escolaridade da maioria dos profissionais de futebol, o Sindicato mantém um protocolo com a Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional (ANQEP), sendo mais de 75 os jogadores que ao abrigo do programa QUALIFICA se preparam para concluir o ensino secundário.

O Sindicato promove ainda em parceria com o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros um projeto de educação financeira que “visa dar resposta ao problema da iliteracia financeira dos atletas, reflexo da falta de hábitos de poupança” e inadequada gestão de rendimentos. “Queremos minimizar os casos dramáticos de jogadores que perdem drasticamente todos os rendimentos acumulados durante a carreira”, refere Evangelista.

Em entrevista recente ao Expresso Tarantini, capitão do Rio Aves e um dos raros casos de jogadores dos campeonatos nacionais que concluíram o ensino superior, defendeu que não é um problema de quanto se ganha, mas de um modo de vida que não passa pelo planeamento a longo prazo.:“Não tem a ver com dinheiro ou os jogadores da NBA não acabavam na bancarrota”.

Fundo de Pensões apresentado BE

Após o acordo celebrado com a PFP para a criação de um regime complementar de rendimento para os praticantes desportivos, o Sindicato reuniu, hoje, com a deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, encontro onde foram discutidas as linhas gerais do Fundo de Pensões que visa a promoção da poupança para fazer face a momentos críticos de carreira por lesão ou doença, e ainda na transição para o fim de carreira.

O projeto negociado para praticantes desportivos profissionais é apresentado pelo Sindicato dos Jogadores em conjunto com a Comissão de Atletas Olímpicos e apoio da FPF, estando previstas reuniões de trabalho com todos os grupos parlamentares e ministérios com a tutela dos assuntos fiscais e segurança social e secretaria de Estado da Juventude e Desporto.