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A noite dos mortos-vivos (a crónica de um clássico onde tudo podia ter acontecido)

O Benfica começou melhor mas acabou por ser bastante pior do que o FC Porto durante quase todo o jogo. E, no entanto, ressuscitou para a luta pelo título porque está a apenas três pontos da liderança, onde estão portistas e sportinguistas, numa noite em que Varela saiu das cinzas para aguentar o empate (0-0)

Pedro Candeias

MIGUEL RIOPA

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Vamos lá, de uma vez só:

O Benfica começou melhor do que o FC Porto e logo no início do clássico até podia ter marcado não fosse a boa defesa de José Sá que também lá está para estas coisas. Assim, ficou no ar aquela teoria - e é apenas isso, uma teoria - que estupidamente pomos na cabeça de cada vez que se joga um clássico e fazemos as nossas apostas no escritório: eh pá, põe aí no X, que o X está pior do que o Y e sabes que quem está por baixo acaba por cima.

Não é bem assim e vocês sabem disso.

Quem está por baixo acaba quase sempre por baixo, mas todos nós temos tendência para recordar as surpresas - e são apenas isso, surpresas - que ficam na história.

Então, o que se seguiu àqueles 20, 25 minutos em que o Benfica inverteu a classificação e esteve, de facto, melhorzinho do que o FC Porto, foi isto: Sérgio Conceição mexeu na equipa, puxou Herrera para o lado direito e pôs Marega no meio, juntou Sérgio Oliveira a Danilo e transformou o 4x3x3 num 4x4x2 musculado e intenso que acantonou o Benfica.

Acto contínuo, os portistas subiram no terreno, começaram a pressionar alto e Herrera disparou para uma defesa de Varela, lá para os 30 minutos. Daí até ao final da primeira-parte, o FC Porto foi o FC Porto e o Benfica foi o Benfica que o FC Porto lhe permitiu ser. Contas feitas, um jogo dividido a meio que legitimou o empate ao intervalo; a grande dúvida era perceber o que Vitória poderia fazer para contrabalançar o ascendente do FC Porto.

Nada fez.

Na segunda-parte, o Porto deixou de controlar para passar a dominar o adversário, variando entre sistemas (4x3x3 e 4x4x2 novamente, quando Otávio entrou) que atrapalharam o Benfica. Pior do que isso, baralharam o Benfica, os defesas do Benfica, deixando Varela exposto na carreira de tiro onde se apresentaram Brahimi (50’), Marega (58’), Herrera (64’) e Felipe (68’). A coisa só não deu para o torto para os da Luz porque Varela se endireitou aos olhos da crítica e dos adeptos com alguns pulos enérgicos nos remates e saídas velozes aos pés dos rivais.

Rui Vitória, que é mais de reagir do que agir, lá pôs Samaris no lugar do esgotado Pizzi para tentar travar o músculo com músculo, mas de nada valeu. É que o um jogo quando segue um curso tão constante é difícil que algumas variações o possam mudar [parece-me uma frase de auto-ajuda adequada ao contexto]. Zivkovic entrou e saiu de fininho com uma expulsão parva, Krovinovic esteve no único lance de perigo dos encarnados na segunda-parte (85’, na cara de Sá), e, por fim, Marega voltou a ser o proverbial Marega com dois falhanços inacreditáveis (86’ e 90’), sobretudo o segundo que entra para o anedotário nacional.

Ora, o que resta dizer é que o FC Porto e o Sporting estão agora empatados com 33 pontos na liderança do campeonato, e que o Benfica está três pontinhos atrás.

Está vivo, sim, não se recomenda mas pode chegar para as encomendas se os astros se voltarem a conjugar como hoje. Se já o fez no passado, porque não agora?

P.S. Há um lance mal anulado por pretenso fora de jogo a um jogador do Porto que poderia ter mudado completamente o que acabei de escrever nos úiltimos três parágrafos.