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António Fiúza: “Pedro Proença e Rui Pedro Soares são duas marionetas, dois paus mandados nas mãos de Joaquim Oliveira”

Presidente honorário do Gil Vicente acusa os presidentes da Liga e do Belenenses de serem “robertos”, “dois paus mandados nas mãos dos interesses de Joaquim Oliveira”. António Fiúza afirma à Tribuna Expresso que Pedro Proença e Rui Pedro Soares esconderam chumbo do Tribunal Administrativo de Lisboa ao recurso interposto pelo Belenenses, no âmbito do 'Caso Mateus’, no acordo de subida do Gil Vicente em 2019/20

Isabel Paulo

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O histórico ex-presidente do Gil Vicente acusa Pedro Proença e Rui Pedro Soares de terem “escondido deliberadamente a verdade dos factos” no acordo assinado na terça-feira entre o Belenenses e o clube minhoto, despromovido por via administrativa em 2006 à II Liga, devido à reclamada utilização irregular do futebolista Mateus, descida compulsiva considerada ilegal pelo Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa em julho do ano passado.

Apesar de o acordo colocar um ponto final no longo imbróglio do célebre 'Caso Mateus', António Fiúza afirma que o pacto “cozinhado entre a Liga e o Belenenses é escandaloso e revelador de má fé”. Segundo o responsável do Gil Vicente até maio último, Pedro Proença e Rui Pedro Soares, omitiram, “para ficarem bem na fotografia”, o indeferimento do recurso do Tribunal Administrativo de Lisboa, a 7 de dezembro último. “É uma omissão grave de gente perigosa. O Belenenses foi notificado de mais uma derrota judicial e, com a bênção de um presidente da Liga fraco e falso, nem um nem o outro tem a dignidade de assumir isso”, revela Fiúza.

O agora presidente honorário do clube que luta há 11 anos pela subida ao lugar “do qual foi retirado pelo oportunismo do Belenenses e a perseguição de Gilberto Madaíl” não poupa os protagonistas do acordo “da vergonha”, salvaguardando, no entanto, Francisco Dias da Silva, atual líder do Gil Vicente, “um homem sério e dirigente competente, que aceitou este compromisso para evitar que o processo se arraste ainda mais, para salvar o clube”.

Foto Rui Duarte Silva

Embora desconheça os termos financeiros do acordo que prevê a subida da equipa gilista em 2019/20, independentemente do resultado desportivo, António Fiúza alerta o seu sucessor que todo o cuidado é pouco com “gente troca-tintas, autênticos robertos ou marionetas nas mãos de Joaquim Oliveira, que é quem manda no Belenenses por deter 31% da SAD”. O ex-dirigente lembra que, com a subida do Gil há um ano e o alargamento da Liga, a Olivedesportos passaria a pagar “mais 3,5 milhões a dois clubes de direitos de transmissão televisiva, em vez dos 500 mil que paga em média aos clubes da II Liga ”.

O alerta do ex-líder do Gil é uma alusão "à traição do verão passado”, após a FPF ter recomendado a recondução imediata da equipa minhota na Liga NOS, na sequência do acórdão do do Tribunal Administrativo de Lisboa que considerou ilegal a despromoção, Pedro Proença “num golpe palaciano deu o dito por não dito ao levar a decisão à Assembleia Geral da Liga que chumbou a integração do Gil”.

Tal como há um ano, António Fiúza teme que o acordo de ontem, que estipula a descida de três equipa da Liga NOS na próxima época e a subida dos dois primeiros classificados da II Liga e do Gil Vicente, possa sair“ de novo gorado por gente sem escrúpulos”. Em termos de indemnização por perdas e danos, tudo o que ficar abaixo de 10 milhões de euros é para o ex-dirigente “um mau negócio”.

A Tribuna Expresso tentou obter sem sucesso uma reação de Pedro Proença à omissão do chumbo ao recurso do Belenenses no acordo intermediado pela Liga, embora fonte do organismo do clube tenha confirmado o indeferimento do processo. “Não cabe à Liga comentar processos judiciais, além de que ainda não transitou em julgado. O importante é que se pôs fim a um longo diferendo entre dois clubes, contribuindo para a pacificação no futebol”, refere a mesma fonte.