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Os momentos LOL de 2017: dá-lhe gás, Eliseu

Um jogador que é uma espécie de patinho feio, com um generoso volume abdominal, a fazer o que lhe apetece com uma vespa no meio do relvado do Estádio da Luz, a mesma vespa que enfiou dentro de um autocarro e levou para as celebrações do 36º título do Benfica, no Marquês de Pombal, em Lisboa. Senhoras e senhores, recordemos Eliseu. Este é o segundo dos momentos LOL de 2017 escolhidos pelos jornalistas da Tribuna Expresso

Diogo Pombo

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Garrafas ou latas de cerveja a abrirem-se, para se sorver o líquido ou deflagrar uma guerra feita a jatos de espuma. Tudo a vestir uma qualquer t-shirt feita especialmente para comemorar algo. Jogadores com os cabelos e barbas pintas, bonés na cabeça, a pulularem com as mulheres, os filhos ou os familiares no relvado, sorrisos em todas as caras. Confetis espalhados por todo o lado.

Quando uma equipa ganha um campeonato, uma taça, um título que seja, ou até quando logra não descer de divisão, este é o comportamento padrão em qualquer celebração no futebol.

Ou qualquer festejo que não inclua Eliseu Pereira dos Santos.

O roliço lateral esquerdo, uma espécie de patinho feio de quem os adeptos, no geral, troçam com respeito e carinho, é diferente. É alguém gozado pelo perímetro abdominal desconfiável, o calção sempre vestido uns números acima e pelas fraquezas, que muita gente usa para toldar as suas qualidades. Como a personalidade extrovertida e criativa que olhou para a garagem que Eliseu tem lá em casa e teve uma ideia:

Porque não pegar numa das motas e ir brincar com ela quando garantirmos o título?

Eliseu, soubemos entretanto, é um ávido coleccionador de motorizadas, em particular de vespas. Uma semana antes de o Benfica conquistar o 36º campeonato da história, sabendo que apenas faltaria uma vitória no último jogo, no Estádio da Luz, o português olhou para a relíquia de 1967 e ligou para um agência de publicidade.

A ideia era tapar a ferrugem e a chapa gasta com adornos alusivos ao título, para que, no dia da conquista, a pudesse levar para o relvado. “Vou levá-la para o relvado custe o que custar”, disse, segundo o que Carlos Simões, o proprietário da Digital Decor, a tal agência, contou ao “Diário de Notícias”.

Mascarada a vespa e garantido o título, Eliseu lá arranjou maneira de ter a anuência do Benfica, entrar com a mota relvado adentro e acelerar por onde lhe apetecia. E apeteceu-lhe dar uma volta olímpica ao estádio, dar boleia a companheiros que tinha o caneco em mãos e até executar piões em plena relva. Como dizem os americanos, Eliseu stole the show.

Não contente com o espetáculo que dera à frente do milhares de adeptos, o campeão europeu continuou inseparável da sua amiga motorizada. Levou-a para o balneário e insistiu para que os restantes jogadores do Benfica abrissem espaço para o deixar prosseguir os piões ali dentro. Tudo captado pelas câmaras, para o nosso gaúdio e o da imprensa internacional, que deu eco à forma original como Eliseu celebrou o título.

Porque ele continuou a celebrá-lo assim noite fora, já que insistiu também para que pudesse levar a vespa para o autocarro que transportou a equipa do Estádio da Luz à rotunda do Marquês de Pombal, em Lisboa, onde desfilou montado na mota.

Tudo foi divertido, inusitado e de louvar, pois todo o título é pontuado por festejos e sorrisos, mas nenhum fora marcado por um jogador a dar gás uma vespa no relvado, no balneário, no autocarro e no palco montado na rotunda mais famosa da capital de um país. Quem não achou, pelo menos, uma certa piada a isto tudo, que procure ajuda.