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É tempo de vermos as novas nuances (ou uma outra forma de lançar o Benfica-Sporting)

A sétima vez que Rui Vitória defronta o Sporting deverá ser a primeira em que vemos as alterações que prometeu no ADN

Diogo Pombo

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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São 129 jogos, repartidos entre as 90 vitórias, os 17 empates e as 22 derrotas que lhe deram os quatro troféus conquistados com o Benfica, a meias com as dezenas de jogadores que treinou pelo caminho. Em duas épocas e meia, e além de ter conseguido o bicampeonato que foi um tetra, Rui Vitória nunca fugiu de um esquema: os quatro defesas, os dois médios, os dois extremos e os dois avançados. O 4-4-2 herdado.

Por muito irritante, altivo e sobranceiro que tenha sido há três verões, quando, acabado de trocar de rivais, afirmou ser o cérebro que já não estava no Benfica, Jorge Jesus ter-se-á baseado numa evidência. Porque houve e continuou a haver coisas que mesmo com Rui Vitória não mudaram muito na forma de jogar dos encarnados: a linha de quatro defesas subida, a arriscar no jogo de profundidade; a forma como a equipa defende; um jogo subordinado à qualidade da ‘conversa’ entre Pizzi e Jonas; e muitas coisas dependentes de Jonas, o avançado que se julgava ser muito melhor com outro avançado ao lado.

Rui Vitória alterou coisas, é certo, embora no esquema tático — esse chavão futebolístico e o lado mais visível da influência de um treinador — quase nunca tenha fugido do 4-4-2. Muito menos depois de, no seu primeiro jogo oficial com o Benfica, e após ouvir as provocações de Jesus, ter experimentado o 4-3-3 e ter perdido. Mas na quarta-feira, 3 de janeiro (21h30), tudo parece que voltará a ser como começou.

Será o sétimo dérbi com o Sporting, o segundo em que, presume-se, colocará dois extremos e um único avançado e três médios a jogarem atrás deles. E o primeiro jogo grande em que mostrará as “novas nuances do ponto de vista tático” que estava disposto a fazer.

Em maio, Rui Vitória esteve quase duas horas nos estúdios da SIC a desdobrar-se em entrevistas sobre os títulos e o seu percurso no Benfica. “Há a possibilidade de algumas alterações do ponto de vista tático. Não quer dizer que elas aconteçam. Podem acontecer fruto das circunstâncias”, admitiu. Ou seja, referia-se ao ‘contexto’, que esta temporada lhe deu uma equipa mais lenta, demasiado mecanizada em processos vagarosos e pouco dinâmica a criar e a adaptar-se às criações dos outros.

Depois houve a circunstância de Jonas continuar a ser Jonas, mas os restantes tornarem-se piores versões deles próprios, evidência à qual o treinador apenas se rendeu quando lhes juntou Krovinovic. Muita gente respira e joga melhor com o croata por perto, sobretudo Pizzi, e com ele o Benfica virou-se para o 4-3-3 (a partir da vitória em Guimarães, no início de novembro, à 11ª jornada) com que receberá o Sporting.

Os leões vão passar o ano ainda dentro de quatro competições e em melhor forma do que o Benfica, apenas vivo no campeonato e a três pontos dos rivais. E são estas as nuances do contexto que rodeia a equipa de Rui Vitória.