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Falam, falam, falam, falam, falam, falam. Jonas joga

Polémicas e acusações entre treinadores à parte, o Benfica voltou ao campo para o primeiro jogo da 2ª volta da Liga. O teste em Braga era difícil, mas o campeão venceu - e convenceu, com a ajuda preciosa de Jonas

Expresso

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Foi em 2014 que passámos a conhecê-lo melhor. Chegou de Valência, rotulado como um avançado talentoso, mas pouco eficaz. Em poucos meses, mostrou-nos, afinal, ambos: talento e eficácia. Em 2014/15, marcou 31 golos - e o Benfica foi campeão; em 2015/16, fez 36 golos (e foi o melhor marcador da Liga) - e o Benfica foi campeão; em 2016/17, fez 18 golos (e bem menos jogos, por lesão) - e o Benfica foi campeão.

Em 2017/18, já leva 24 golos em 29 jogos - e 21 deles em 18 jogos na Liga, o que faz dele o melhor marcador do campeonato português, com mais quatro golos marcados do que Bas Dost. E o Benfica vai em 3º lugar...

... mas passou um teste decisivo na busca do pentacampeonato. E em muito graças a Jonas.

Com o Sporting de Braga a apenas três pontos de distância, o Benfica poderia ter sido, esta noite, no Minho, alcançado no pódio da tabela da Liga - o que significaria o adeus definitivo ao penta, já que o FC Porto lidera com mais cinco pontos e o Sporting vai com mais três.

O jogo era de dificuldade elevada, mas a verdade é que a equipa de Rui Vitória pareceu sempre bem confortável em Braga - o que deixou os anfitriões bem desconfortáveis. Como é habitual, a equipa de Abel Ferreira quis ter bola e construir desde trás, mas teve muitas dificuldades em superar a pressão alta do Benfica, que condicionava desde cedo essa saída.

A ideia benfiquista era recuperar a bola logo ali no corredor central, quando Danilo pegava nela, mas a forte capacidade de condução do médio brasileiro - que também já jogou pelo Benfica - ia furando a estratégia de Rui Vitória: logo nos primeiros minutos, um remate de Danilo à entrada da área assustou Varela, que ainda largou a bola - molhada com a forte chuva que caía em Braga.

Mas não demorou muito mais para o plano benfiquista funcionar. O Braga tentava sair, apoiado, através de Danilo, quando apareceu Jonas a roubar-lhe a bola e a lançar a transição rápida para o ataque. Cervi recebeu em zona frontal e desmarcou Salvio que, na cara de Matheus, fez o 1-0.

O golo abanou os bracarenses, que continuaram a ter muita dificuldade em construir perante a pressão do Benfica, e foram sempre os visitantes a criar perigo, primeiro com um remate de Grimaldo e depois com outro de Krovinovic.

Entre várias transições de um lado e de outro, o Braga conseguiu criar a sua primeira oportunidade clara de golo através de uma subida de Ricardo Esgaio pela direita, quando o lateral ofereceu o golo a Ricardo Horta, mas o jovem não conseguiu tocar na bola para desviá-la para a baliza, já na pequena área do Benfica.

Na 2ª parte, ao contrário do que aconteceu na 1ª, em que o controlo do jogo foi sempre do Benfica, houve bem mais Braga. Mas, no primeiro lance da segunda metade, até podia ter sido a equipa de Rui Vitória a resolver, quando Jardel cabeceou uma bola ao poste.

A partir de então, a equipa de Abel Ferreira conseguiu ter mais bola e estar mais perto da área oposta - Varela negou o golo a Ricardo Horta, num remate à entrada da área, com uma grande defesa -, mas não criou grandes oportunidades de golo... e foi mesmo o Benfica a marcar novamente.

Aos 64', Jonas - como não podia deixar de ser - varia o centro do jogo para o corredor oposto em que estava, para os pés de André Almeida, e ataca o centro da área. Almeida cruza para o colega e, de cabeça, o avançado brasileiro faz o 2-0.

Aos 75', com o Braga a carregar, há finalmente golo para os da casa, mas com ajuda de... Bruno Varela. Ricardo Horta cruza a bola para a área e o guarda-redes do Benfica sai mal, permitindo a Paulinho cabecear para uma baliza praticamente deserta.

Ao reduzir o resultado, o Braga ainda encostou o Benfica atrás - Varela redimiu-se ao tirar outro golo a Ricardo Horta -, mas os visitantes aproveitaram para assustar no contra ataque. Aos 87', já com Jiménez em campo, por troca com Jonas, o jogo podia ter ficado resolvido. O mexicano está isolado em frente a Matheus e faz o mais difícil: remata por cima da baliza

Contudo, já nos descontos, numa bola bem mais difícil, no ar, cruzada por Cervi, Jiménez remata de primeira e fuzila Matheus para o 3-1 - e para o seu primeiro golo na Liga. Não é Jonas, mas... de vez em quando dá jeito.