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O difícil não é ganhar, difícil é marcar cinco golos em meio jogo - e eles tornaram-no fácil

O Benfica bateu o Rio Ave por 5-1 depois de uma segunda parte irrepreensível em que marcou cinco golos. Uma recuperação notável frente a um adversário contra quem empatara na primeira volta e pelo qual fora eliminado da Taça de Portugal

Pedro Candeias

FRANCISCO LEONG

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O Benfica vinha de um empate e o Rio Ave de uma derrota, dois maus resultados frente a equipas - o Belenenses (1-1) e o Portimonense (1-4) - que sendo do mesmo campeonato não são realmente do mesmo campeonato. E já que perguntam, sim, o Rio Ave, ou pelo menos este Rio Ave e o Rio Ave do ano passado, ganhou o direito a estar numa categoria que passo a chamar de média-baixa.

Bom, voltando ao que aqui nos trouxe, o Benfica e o Rio Ave, que obviamente também não são do mesmo campeonato, prometiam pelo menos um jogo entretido: os encarnados andavam a jogar melhor desde que Krovinovic passara a titular e é provável que a sua ausência forçada tenha ajudado à exibição descolorida da equipa em Belém; os vila-condenses são um, senão mesmo o clube-fétiche desta Liga e o desastre algarvio explica-se por um súbito ataque de apatia que resultou numa sucessão de disparates pegados que puseram os de Portimão a vencer por 3-0 antes dos 30 minutos.

Talvez por isso, quando marcaram logo aos nove minutos por Guedes, os rapazes de Miguel Cardoso pensaram ter expiado os seus fantasmas; depois, quando João Novais disparou ao ferro, ter-se-ão lamentado à bruxa.

Foi neste momento, entre o golo e os minutos que se sucederam, que o Rio Ave conseguiu mais ou menos controlar o encontro: Francisco Geraldes (que assistiu Guedes) andava muitas vezes solto ali na terra entre os centrais encarnados e Fejsa e era nos seus pés e na sua leitura de jogador-leitor que tudo acontecia; Zivkovic, por sua vez, estranhou o lugar que é por decreto de Krovinovic e que fora de João Carvalho em Belém, e esqueceu-se que ali, no meio, é preciso estar um bocadinho mais atento às operações.

Depois, aos poucos, o Benfica de Rui Vitória acertou as marcações e habituou-se a ter a bola em lugares mais arriscados e foi então que apareceu Cássio na baliza a evitar males maiores no frente a frente com Jonas. Pelo meio, aconteceu o inesperado: a lesão de Salvio e a entrada de Rafa deu maior objetividade ao ataque encarnado - normalmente, objetividade e Rafa são palavras que não coincidem na mesma frase.

Nos últimos dez minutos, o Benfica pisou no acelerador e queimou espaços a bom ritmo, mas, ainda assim, nada mudou na prática, porque foi para o intervalo a perder. Na segunda-parte, tudo mudou e o Benfica recomeçou quase a marcar não fosse Marcão estar no sítio certo e na altura certa para cortar uma bola picada por Grimaldo.

O pontapé de saída para uma espécie de remontada à portuguesa estava dado e o pontapé de canto para o empate chegou minutos depois: numa adaptação forçada e previsível à letra de Carlos Tê, Jardel voou entre os centrais e fez o golo no seu 200 jogo pelos encarnados.

A partir daí, como diz o povo da bola, só deu uma equipa e essa equipa foi o Benfica que foi sempre mais rápido e incisivo - “atlético”, diria o treinador do Rio Ave;sobretudo, o Benfica anulou Francisco Geraldes, que tende a perder o discernimento quando lhe falta o físico, e isso permitiu-lhe respirar melhor, apesar da tremideira ocasional de Bruno Varela.

Assim, foi com naturalidade que Pizzi fez o 2-1, a passe de Jonas, e foi também com naturalidade que Rafa desperdiçou a oportunidade para o 3-1 (ou, então, para sacar uma falta perigosa, porque não caiu após uma falta); e foi com absoluta naturalidade e justiça que Jonas fez o seu 25.º golo na Liga, o seu 10.º encontro consecutivo a marcar, após novo canto em que os encarnados se superiorizaram aos adversários.

E como um canto bem batido nunca é demais e é sempre meio caminho andado para qualquer coisa, o Benfica chegou ao 4-1 por Rúben Dias, que fechou um dos seus melhores jogos no que diz respeito ao item safar-a-equipa-no-limite-com-um-corte-ou-um-carrinho. Mas o resultado ainda não estava fechado nem encapsulado para o histórico da Liga, porque - e não me canso de o dizer - o objetivo Rafa ainda foi à linha para cruzar objetivamente para o 5-1 de Jiménez.

Com uma mão-cheia de golos, lá se foram dois traumas de uma vez só: o empate na primeira volta e da eliminação na Taça de Portugal. Na Liga, o Benfica continua vivo e à espreita dos desaires alheios.