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Um grande passo para os estorilistas, dois passos atrás para os sportinguistas. E sportinguenses. E sportingados. E...

O Sporting perdeu por 2-0 diante do Estoril e deixou-se cair da liderança à condição onde andava para o terceiro lugar com os mesmos pontos do Benfica. Quem diria?

Pedro Candeias

Gualter Fatia

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E então, de quando em vez, acontecem coisas inesperadas.

A Assembleia Geral do Sporting terminou estranhamente, como se sabe, com Bruno de Carvalho a bater com a porta, a suspender o evento, a gritar “não!”, a deixar no ar que ia deixar a presidência; depois, BdC reforçou esta ideia no dia seguinte num post em que expôs os nomes dos seus críticos, um por um, cinquenta e cinco no tal, a meia hora de um jogo que podia dar a liderança no campeonato ao clube que preside, ou que vai deixar de presidir, já não sabemos bem.

Bom, e como o futebol está cheinho de histórias de maus presságios e de karmas ruins e de feitiçarias e de bruxas e de outros esoterismos basicamente relacionados com a máxima tens-o-que-mereces - o Sporting perdeu com o Estoril por 2-0.

Obviamente, a relação causa-efeito entre uma AG e um resultado de um jogo é um salto lógico semi-quântico, mas é provável que esta teoria do caos ande agora na cabeça dos sportinguistas. E dos sportinguenses. E também dos sportingados.

Deixando os esoterismos de lado, talvez seja razoável escrever que o Sporting perdeu este jogo porque o Estoril foi corajoso e esperto a aproveitar o que a natureza lhe deu na primeira parte - um vento a favor que empurrou o adversário lá para trás. Nos minutos iniciais, contei seis cantos consecutivos para os estorilistas e nenhum deles deu golo porque… Patrício. Só que, vários minutos depois, quando Sporting parecia estar a acalmar, a tentar impedir que os estorilistas saíssem a jogar desde lá de trás, Kyriakou aproveitou uma deixa que saiu de um desses pontapés de canto e fez o 1-0. Instantes depois, numa distração defensiva, veio o 2-0, com recurso ao VAR.

A pressão imaginada por Ivo Vieira num encontro que seria jogado sob condições que os seus rapazes bem conhecem - ventania, frio, espaços curtos - estava a resultar. O Estoril tentava sempre jogar com os seus defesas na linha do meio-campo e os seus avançados também perto dos seus médios; era um risco calculado diante de um rival que tinha os seus dois melhores avançados (Gelson e Bas Dost, ambos lesionados) de molho.

Porque Doumbia é rápido mas não marca golos e porque Bruno César é útil e sobretudo inteligente, mas também tem aqueles momentos que aprendemos a chamar “instante Bryan Ruiz” - o falhanço ao minuto 44 explica-se por um pequeno ressalto da bola, mas é caricato e, no mínimo, confrangedor.

E, em cima de tudo isto, da inaptidão leonina para rematar simplesmente à baliza, também esteve a qualidade de Lucas Evangelista de afro tipo Seu Jorge a sambar pelo relvado todo. É verdade que o Estoril anda pelos lugares de despromoção, mas também é verdade que Evangelista (e Ewandro e Ailton) têm pinta para chegarem mais longe.

Ao intervalo, 2-0. Nem tudo estava ganho nem nada estava perdido - mas quase.

Na segunda-parte, Jorge Jesus pôs Fredy Montero e tirou o desastrado Battaglia, e Fábio Coentrão fez um primeiro remate e Montero um segundo, ambos a passar ao lado da baliza de Renan; já o de Acuña, segundos depois do do colombiano, foi cortado por um defesa. Lendo isto, de um fôlego só, se lhe soar que o Sporting entrou a todo o gás, é porque entrou.

Mas da mesma forma que os lisboetas iam entrando na grande e pequena áreas do adversário, os estorilistas iam passando incólumes, ou porque remate saía ou lado ou porque Renan estava lá para segurar o segurável.

O brasileiro, que me lembre, fez apenas uma grande defesa, após cabeceamento de Mathieu, ao minuto 89’, e nessa altura já Manuel Mota tinha anulado (e bem) um golo ao Estoril depois de recorrer o VAR e Bruno Gomes falhado um golinho cantado a passe de, adivinhou, Evangelista. Até final do encontro, o VAR retiraria (e bem) um golo a Montero e a coisa iria terminar como tinha ficado ao intervalo: 2-0.

O Sporting perdeu a liderança (à condição) que havia conquistado e está a dois pontos do FC Porto e com os mesmos 50 do Benfica. Que é, refira-se, segundo classificado.