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Condensado e resumido: tudo o que precisa de saber sobre as contas dos grandes

Entre julho e dezembro de 2017, todos os três grandes reduziram o passivo, mas em termos de resultado líquido só águias e leões estão no verde

Lídia Paralta Gomes

Gualter Fatia/Getty

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Último dia de fevereiro é dia de prestar contas. Bem, pelo menos para as SADs dos três grandes, que divulgaram então os respetivos Relatórios e Contas relativos ao primeiro semestre de 2017/18, o período entre 1 de julho e 31 de dezembro, portanto.

Numa frase: Benfica e Sporting no verde, FC Porto a reduzir passivo, mas ainda no vermelho.

Mas vamos lá a pormenores.

Benfica

Os encarnados apresentaram lucros de 19,1 milhões de euros no Relatório e Contas consolidado da SAD (que inclui ainda a Benfica Estádio e a BTV) enviado à CMVM, um número mais de sete vezes superior aos lucros apresentados no mesmo período em 2016/17, que foram apenas de €2,6 milhões.

Para este valor muito contribuíram as vendas de Nelson Semedo para o Barcelona, por 30,5 milhões de euros e de Kostas Mitroglou para o Marselha, por €15 milhões. O Benfica lucrou ainda €3,4 milhões com a transferência de Rui Fonte do Sp. Braga para o Fulham, já que na venda do avançado aos bracarenses, o Benfica ficou com direito a 50% numa futura transação.

A quebra de receitas da UEFA - o Benfica foi eliminado sem pontos na fase de grupos da Champions - acabaram por afetar os rendimentos operacionais, que baixaram 6,9% para 64,6 milhões de euros.

Já o passivo dos encarnados recuou qualquer coisa como €53 milhões, estando agora nos 385,4 milhões de euros - no final da época passada era de €438,3 milhões. Uma descida alicerçada na diminuição da exposição à banca e do passivo com fornecedores.

O ativo total líquido também desceu, cerca de 6,5%, estando agora nos 473 milhões de euros.

O Benfica viu ainda a rubrica gastos com pessoal aumentar cerca de 4,8 milhões de euros em relação ao período homólogo.

O último Relatório e Contas dos encarnados confirma ainda a contratação do guarda-redes alemão Odisseas Vlachodimos ao Panathinaikos por €2,5 milhões, bem como a renovação de contrato de Talisca até 2020.

NurPhoto/Getty

Sporting

Passemos à SAD leonina que apresentou também números positivos, nomeadamente na redução do passivo, na ordem dos 40,4 milhões de euros - de €310,9 milhões para €270,5 milhões. A redução da dívida bancária, provisões e do pagamento a fornecedores foram os principais contribuidores da descida do passivo.

O Sporting registou ainda lucros de 10,1 milhões de euros, ainda assim um decréscimo acentuado face aos resultados de há um ano, quando os leões anunciaram lucros de €46,5 milhões. No mesmo período, houve ainda uma diminuição do volume de negócios de 122,9 milhões de euros para €81,6 milhões, valores que resultam essencialmente das receitas da Champions e da venda de Adrien Silva ao Leicester.

Quanto aos gastos com pessoal, o Sporting anunciou um aumento de 6,1 milhões de euros, para um total de 37,7 milhões de euros. O plantel de futebol está avaliado em €65,9 milhões.

No relatório e contas também é possível confirmar o pagamento da dívida de 11 milhões de euros à Doyen, ainda relacionado com o caso da transferência de Marcos Rojo ao Man. United.

Carlos Rodrigues/Getty

FC Porto

O único dos três grandes a apresentar contas no vermelho no Relatório e Contas do 1.º semestre de 2017/18 foi o FC Porto, cuja SAD registou um resultado líquido consolidado negativo de 23,9 milhões de euros, pelo que continuarão vigiadas pela UEFA devido ao fair-play financeiro. Ainda assim, o valor representa uma melhoria de €5,7 milhões face ao período homólogo.

O FC Porto conseguiu também reduzir o passivo em cerca de 7,2 milhões de euros (para €380,2 milhões), um corte que se deve à “diminuição do saldo a pagar a fornecedores”, pode ler-se no documento enviado à CMVM.

Em baixa está também o ativo total líquido dos dragões, agora nos 347 milhões de euros, menos €31,3 milhões face a julho de 2017, devido à queda dos valores a receber de clientes.

Um dos objetivos da SAD para este exercício era cortar nos salários, uma meta conseguida: os gastos com o pessoal baixaram cerca de 3 milhões de euros.

No Relatório e Contas do 1.º semestre de 2017/18 é possível perceber que o FC Porto pediu empréstimos na ordem dos 36 milhões de euros. Como garantia, o clube entregou entregou parte dos passes de alguns jogadores, receitas da UEFA e uma hipoteca do Estádio do Dragão.

NurPhoto/Getty