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Duarte Gomes

Duarte Gomes

ex-árbitro de futebol

Ele há dias assim, em que tudo corre bem e ninguém se queixa dos árbitros – porque toda a gente ganhou (por Duarte Gomes)

Quando Benfica, Porto e Sporting vencem os seus jogos, o ruído em torno das arbitragens tende a diminuir exponencialmente. A verdade é que os três grandes arrastam uma multidão de fãs e de forte interesse mediático, que tende a calibrar o volume dos decibéis em função que jogos que vencem ou perdem

Duarte Gomes

MIGUEL RIOPA

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Esta semana e sem prejuízo desses resultados - felizes para os três - as coisas correram globalmente bem, em termos de arbitragem.

Na Feira, Manuel Mota realizou trabalho de enorme qualidade. A única (grande) dúvida centrou-se na posição de Jonas, momentos antes do golo de Jiminéz. As imagens, sem linha tecnológica, nada esclareceram pelo que é justo tomar como boa a decisão do árbitro bracarense.

A expulsão de Tiago Silva, por acumulação de amarelos, foi indiscutível e justa, em ambas as infrações. O jogador pode não ter tido essa perceção na altura, mas mais a frio seguramente teve outra visão dos lances.

Mota esteve particularmente atento também nas áreas: Rúben Dias e Cervi caíram em zona proibida, sem que no entanto os seus mais diretos adversários tivessem cometido falta passível de pontapé de penálti. O mesmo aconteceu com queda de João Silva, não se tendo aí vislumbrado qualquer infração.

Perto do final da partida, Briseño foi bem expulso por falta grosseira sobre André Almeida. A entrada foi excessiva e colocou em perigo a integridade física do lateral encarnado. Outra boa decisão do árbitro de Braga.

No Estádio do Dragão, Manuel Oliveira beneficiou da valiosa intervenção do VAR para repor justiça em lances em que se equivocou inicialmente. A expulsão de Vítor Gomes em falta negligente era mesma passível de amarelo e Sérgio Oliveira, ainda que inadvertidamente, acabou por tocar duas vezes na bola, aquando da execução do pontapé de penálti (bem assinalado por rasteira de Sparagna a Maxi Pereira).

Nesse lance, ocorreu aquilo que acontece em todos os penáltis: defensores e atacantes a deslocarem-se para a área, não respeitando a distância de 9.15m. O bom senso geralmente pede aos árbitros que ignorem esse "atropelo compreensível" às leis de jogo, quando a evidência não é grande e quando não há benefício em prevaricar. Todavia quando se consegue escrutinar, à lupa, outra infração no mesmo lance, é perfeitamente normal que surjam alertas que coloquem a decisão final em causa.

Nessa partida, outros duas jogadas, ocorridos em ambas as áreas, merecem aqui análise: um braço de Rossi, precedido de posição irregular de Brahimi e cuja decisão final deixou algumas dúvidas; e um agarrão de Yusupha a Filipe, ao que este respondeu com puxão no ombro do avançado do Boavista. Aqui entende-se a não punição de nenhuma das infrações, se bem que a haver falta seria sempre a do jogador do Boavista (a primeira).

Rui Costa voltou a Alvalade para dirigir, com sobriedade e sem sobressaltos, a partida entre Sporting e Rio Ave. A nota menos foram as quarenta faltas assinaladas em jogo disputado com grande correção e desportivismo.

No único lance mais duvidoso, Bruno Fernandes pediu penálti após disputa com Leandrinho. É verdade que existiu contacto mas ligeiro. Pareceu-nos até que dentro do limite do aceitável, não justificando a queda do médio do Sporting. Benefício da dúvida para o árbitro do Porto.

Nas outras partida, nota para uma boa intervenção do VAR a corrigir decisão incorreta do árbitro assistente (golo mal anulado ao Marítimo). O avançado madeirense estava em linha com o penúltimo defensor adversário.

Já em Chaves e apesar da dificuldade de análise, ficámos com a ideia que Bruno Viana agarrou o braço esquerdo de William, em plena área bracarense. O lance, rápido e longe do local onde se encontrava a bola, passou despercebido a toda a equipa de arbitragem, mas pareceu ser merecedor de castigo máximo.

Jornada relativamente tranquila, que deixa antever uma reta final com qualidade e boas decisões.

Assim se deseja e espera.