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Um jogo de azul contra azul, no dia azul do autismo

O Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, que é assinalado com a cor azul, vai ser marcado no Restelo, onde haverá azuis contra azuis - e um grupo muito de especial de pessoas a subir ao relvado com os jogadores

Mariana Cabral

O FC Porto venceu o Belenenses por 2-0, na 1ª volta da Liga 2017/18

AFP

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"Quando os astros se alinham", o futebol português é capaz de bem mais do que confusões e polémicas. Como irá acontecer esta noite, no Restelo, quando Belenenses e FC Porto subirem ao relvado para encerrar a 28ª jornada da Liga (20h, SportTV1).

Os azuis de um lado e os azuis do outro lado vão estar acompanhados por um grupo de pessoas com autismo, no dia em que se assinala o Dia Mundial da Consciencialização da doença, marcada pela cor azul.

"Esta data é mundialmente assinalada pela iniciativa 'Light it up blue', que consiste na iluminação de museus, monumentos e edifícios públicos com luz azul. Simultaneamente, as pessoas são convidadas a utilizar uma peça de roupa azul", explica à Tribuna Expresso Inês Neto, directora da Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA-Lisboa).

"Este ano, os astros alinharam-se e ditaram que no Dia Mundial da Consciencialização do Autismo houvesse um Belenenses-FC Porto, azul contra azul, no dia azul do autismo. Dada a proximidade do Estádio do Clube de Futebol “Os Belenenses”, contactámos o clube para se associar a nós, desafio prontamente aceite", conta Inês Neto.

"Contactada a Liga NOS, o clube recebeu a autorização necessária e teremos um grupo de pessoas com Perturbação do Espectro do Autismo a entrar em campo com os jogadores do Belenenses e do Porto. O grupo será heterogéneo, composto por crianças, adolescentes e adultos, para mostrar que o autismo não é apenas característico das crianças", acrescenta a diretora.

A APPDA-Lisboa foi fundada em 1971 por um grupo de pais de pessoas com autismo e desde aí procura a defesa da melhoria da qualidade de vida das pessoas com autismo. Atualmente, apoia cerca de 200 pessoas, dos 2 aos 58 anos, e tem a sua sede no Bairro do Alto da Ajuda.

"Numa altura de crispação entre clubes nunca antes vista, julgo que é uma boa iniciativa para relembrar a todos os espectadores que o futebol também pode e deve ser isto: um veículo de responsabilidade social que pode fazer muito por causas nobres", conclui Inês Neto.