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Quando ele não sorri, é porque algo está mesmo mal em Alvalade

Foi uma vitória entre aplausos - para os jogadores - e assobios - para o presidente. Depois de uma semana atribulada, o Sporting venceu o Paços de Ferreira, por 2-0

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PATRICIA DE MELO MOREIRA

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O momento mais bonito de um jogo de futebol é, claro, o do golo. E, nos jogos do Sporting, esse momento normalmente tem um nome, um sorriso e um abraço associados a ele: Bas Dost. O gigante holandês, sempre que se vê envolvido num golo sportinguista, seja a marcar ou a assistir, sorri como se fosse a primeira vez e abraça os colegas com força, do alto dos seus 1,96m.

E é por isso que, quando Bas Dost não sorri, algo deve estar mesmo mal.

O avançado holandês marcou, aos 20', o primeiro golo do Sporting esta noite, mas ninguém lhe viu os dentes, depois de uma série de dias em que andou tudo mal no reino de Alvalade. Tão mal que, antes do jogo, o presidente voltou a publicar críticas aos jogadores no Facebook e, na hora do jogo, estava sentado no banco, ao lado de Jorge Jesus, treinador que, entre as notas de "O Mundo Sabe Que", soltava uma lágrima.

Jogava-se o Sporting-Paços de Ferreira, mas tudo o que andava à volta do jogo parecia estranhamente bem mais importante do que o próprio jogo. Quando Bruno de Carvalho entrou no relvado, Alvalade assobiou e marcou posição, um pouco à semelhança daquilo que aconteceu quando Bas Dost marcou o tal golo, depois de um cruzamento de Bryan Ruiz e de um desvio de Bruno Fernandes: os jogadores uniram-se, todos, sem exceção, num longo abraço, demonstrando a sua união.

E foi assim, ao longo dos 90 minutos, que o Sporting conseguiu levar de vencida o Paços: com união e força de vontade. Entre a chuva e o granizo, não houve um futebol muito vistoso, ainda que Wendel - titular pela primeira vez, na ausência do lesionado William - tenha dado nas vistas com pormenores muito interessantes, a médio centro, à frente de Battaglia.

A integração do reforço no meio-campo permitiu a Bruno Fernandes jogar mais próximo de Bas Dost, o que foi receita para o sucesso: sempre irrequieto, o internacional português conseguiu criar espaços junto à área do Paços e as jogadas de ataque iam sempre passando pelos pés dele.

O Sporting ia dominando, mas o ritmo de jogo era lento e não havia grandes oportunidades de golo, nem do outro lado do campo, uma vez que o Paços só ia assustando Patrício em bolas paradas e pouco mais.

Na 2ª parte, a toada foi semelhante, ainda que o Sporting tenha tido bem mais ocasiões para golo: primeiro, por um remate de Gelson, depois, por outro de Bryan e, por fim, um outro de Coates, que embateu no pescoço do guardião Mário Felgueiras.

O golo da tranquilidade só surgiu aos 65', quando Gelson - também em bom plano esta noite - roubou uma bola perto da área do Paços, combinou com Bruno Fernandes - que lhe devolveu a bola de calcanhar - e ofereceu a bola a Bryan Ruiz, que fez o 2-0.

Perto do final, Bas Dost voltou a marcar - e até parecia que ia sorrir... -, mas o golo acabou por ser invalidado por fora de jogo, num lance em que Mário Felgueiras saiu lesionado e o jogador Rui Correia teve de ir para a baliza, já que o Paços já não tinha mais substituições.

Ainda assim, não houve mais golos e o Sporting saiu vencedor, depois de três dias caricatos. E, no final, Bruno de Carvalho saiu rapidamente do campo e os jogadores, juntamente com a equipa técnica, deram uma volta a todo o estádio, batendo palmas aos adeptos.

"O mais importante disto tudo era ganhar", disse, após o jogo, Rui Patrício. Parece simples, não é?