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4-3-3, 4-4-2, blocos altos, baixos e médios, paciência e rapidez: a antevisão ao clássico do título

Benfica e FC Porto defrontam-se domingo no clássico que pode decidir o título, uma vez que vai deixar alguém a depender apenas de si próprio para ser campeão. O analista Tiago Teixeira explica-nos o que esperar do jogo, taticamente falando

Tiago Teixeira, analista de futebol e criador do blogue Domínio Tático

Brahimi contra André Almeida

MANUEL ARAÚJO/LUSA

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Podemos chamar-lhe o clássico do título. Depois do jogo de domingo, seja qual for o resultado, apenas uma equipa vai continuar a depender apenas si para conquistar o título de campeão nacional.

O Benfica, em caso de vitória, fica com 4 pontos de avanço sobre o 2º classificado e com uma mão e meia no penta. O FC Porto, ganhando na Luz, volta para 1º e passa a ser o favorito à conquista do título.

Como deverá jogar o FC Porto

Independentemende do sistema utilizado por Sérgio Conceição (nos jogos teoricamente mais complicados, fora do Dragão, usou muitas vezes o 4-3-3 em vez do habitual 4-4-2) é de esperar um FC Porto igual a si próprio: muita velocidade, muita procura dos movimentos de rutura nas costas da linha defensiva do Benfica e... muita dependência de Brahimi.

Muito do que o FC Porto for capaz de fazer quando tiver a posse da bola passa por Brahimi. Nas transições ofensivas, vai ser ele o jogador que os colegas vão procurar mais vezes após a recuperação da bola, para que através da sua condução o FC Porto saia rápido para o ataque.

E, em ataque posicional, o extremo argelino irá ser essencial na ligação entre a construção e a criação.

Se o espaço entre linhas for pouco, Brahimi vai recuar para ser ele a fazer a bola chegar ao espaço entre os defesas e os médios do Benfica. Seja em condução (fintar os adversários) ou a associar-se com algum colega (tabelas, por exemplo), é Brahimi que vai procurar ligar o processo ofensivo do Porto.

Se o bloco defensivo do Benfica não for compacto o suficiente e permitir espaço entre linhas, Brahimi vai posicionar-se atrás dos médios do Benfica para tentar receber a bola aí.

E, depois, terá sempre com o mesmo objetivo: servir os colegas que vão realizar os movimentos de rutura.

Em organização defensiva, a estratégia de Sérgio Conceição não deverá fugir muito do que tem sido habitual. Num bloco médio muito compacto, organizado em 4-4-2, um dos médios interiores (provavelmente será Otávio) formará com o avançado (Soares ou Aboubakar) uma primeira linha de pressão, sempre posicionada na diagonal para que a bola não entre em Fejsa.

A linha média, sempre basculada para a zona da bola (pressão mais agressiva quando a bola entrar nos corredores laterais) e com os dois médios centro (Sérgio Oliveira e Herrera) posicionados na diagonal, de modo a garantir coberturas defensivas e a diminuir o espaço onde Jonas possa receber a bola.

O bloco médio do FC Porto

O bloco médio do FC Porto

Quando estiver num bloco mais baixo (seja por estratégia do treinador ou por "obrigação" do Benfica, que o poderá "empurrar" para lá), o FC Porto irá abdicar do 4-4-2 e organizar-se em 4-5-1, com Otávio (caso seja ele o escolhido) mais próximo de Herrera e de Sérgio Oliveira do que do ponta de lança.

Deste modo, apesar de não condicionar de maneira tão agressiva a 1ª fase de construção do Benfica, vai conseguir preencher melhor o corredor central.

O bloco baixo do FC Porto

O bloco baixo do FC Porto

Como deverá jogar o Benfica

No que diz respeito ao Benfica, as dúvidas quanto ao sistema tático que Rui Vitória irá utilizar são menores.

Em ataque posicional, organizado em 4-3-3, será um Benfica mais paciente em posse de bola, mas muito dinâmico no corredor lateral esquerdo.

É que é ali, na esquerda, que os pequenos mas cheios de qualidade técnica e criatividade Grimaldo, Zivkovic e Cervi vão procurar, através de várias combinações entre eles, progredir em direção à baliza adversária.

Além deles, o inevitável Jonas também ajudará a criar, descaindo um pouco para lado esquerdo, aproveitando os movimentos de Zivkovic (que consegue muitas vezes arrastar consigo um dos médios adversários) para receber a bola no corredor central.

Mais sobre o corredor lateral direito, Pizzi, posicionado fora do bloco, será fundamental para fazer a bola chegar ao espaço entre a linha média e a linha defensiva do FC Porto, onde Jonas quererá receber a bola e dar sequência ao processo ofensivo do Benfica.

Em organização defensiva, será um Benfica organizado em 4-5-1, com a linha defensiva subida, de modo a tornar o bloco defensivo muito compacto.

Tendo por base o plano que Rui Vitória já apresentou noutros jogos, Jonas deverá ter como função cortar a linha de passe entre os dois centrais do FC Porto (Felipe e Marcano).

O extremo do lado da bola (Cervi na esquerda e Rafa na direita) estará preocupado em cortar a linha de passe entre o central e o lateral.

Pizzi (principalmente ele porque o FC Porto irá procurar atacar mais vezes pelo lado esquerdo) deverá estar a tapar a linha de passe para Brahimi e Fejsa posicionado mais atrás, dando cobertura defensiva.

A organização defensiva do Benfica

A organização defensiva do Benfica

Resumindo: prevê-se um jogo bastante equilibrado, mas com maior iniciativa e paciência por parte do Benfica, uma vez que joga perante os seus adeptos e é uma equipa que se sente mais confortável em posse de bola do que o adversário.

O FC Porto, por sua vez, deverá ser uma equipa mais confortável sem a bola e, depois, bem mais veloz na maneira como atacará.