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Está a acabar a história de amor entre Maniche e a AD Camacha

Maniche não se alonga em comentários, mas fala de uma “barbaridade do tamanho do mundo”; Camacha ameaça com processo judicial e denuncia incumprimento desportivo e financeiro do ex-jogador

Marta Caires

Gregório Cunha

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“Ou chegamos a um acordo de cavalheiros ou avançamos com um processo judicial.” Acordo ou processo: é neste ponto que está a relação entre Maniche e a Associação Desportiva da Camacha nove meses depois de ter sido anunciada a compra do clube pelo antigo internacional português. O investidor externo que, em agosto de 2017, queria levar a Camacha à II Liga e promover os jogadores madeirenses deixou o clube “numa situação calamitosa”. Esta é, no entanto, a perspectiva do clube, já que Maniche, sem se querer alongar em comentários, considera a acusação “uma barbaridade do tamanho do mundo”.

Investidor e clube têm visões diferentes do assunto. O presidente da AD Camacha, Celso Almeida, responsabiliza o antigo futebolista pela situação e acusa Maniche de incumprimento do contrato assinado há noves, tanto em termos desportivos como do ponto de vista financeiro. A ideia, explica o presidente, era dotar o clube de uma gestão semiprofissional, mas isso não aconteceu. “Os jogadores que trouxe não fizeram a diferença, vinham e iam embora logo de seguida, não tinham qualidade. Os jogadores que ficaram fomos nós que tivemos de os encontrar.”

O dinheiro também não terá chegado e o resultado está à vista. “A Camacha era um dos clubes com maior tempo de permanência no Campeonato Nacional de Seniores e desceu. Se era para isto era melhor não ter ido buscar um investidor externo.” O contrato, assinado em agosto do ano passado, foi entretanto denunciado em março e não se sabe se será assinada a escritura de venda da SAD a Maniche, o que estava (ou ainda está) marcado para 30 de abril. A Camacha quer agora chegar um acordo. “Ou chegamos a um acordo de cavalheiros com o senhor Nuno Ribeiro, mais conhecido por Maniche, ou avançamos com um processo judicial.”

O ex-jogador, que surpreendeu todos ao anunciar a compra da Associação Desportiva da Camacha, tem uma versão diferente do caso, mesmo sem adiantar muito. “Não vou fazer comentários, os meus advogados estão já a tratar do assunto, dessa barbaridade do tamanho do mundo. Por isso, não vou fazer comentários de momento”, explica o antigo internacional português à Tribuna Expresso. O que faz prever um desfecho mais atribulado para o fim do contrato com o clube madeirense, o mesmo onde se apresentou num discurso emotivo e com muitos projectos para o futuro, entre os quais a subida à II Liga num prazo de dois anos.

Nove meses depois da apresentação e do discurso em que disse rever-se nos miúdos pobres do bairro social vizinho das instalações da Camacha, os tais a quem disse que sabia o que era só receber presentes pelo Natal, o clube desceu de divisão e a promoção dos talentos do jogador madeirense parece não ter sido conseguido. Pelo menos na opinião do presidente do clube, que, à Tribuna Expresso, lembra que quem quer fazer dinheiro em futebol tem de apostar nos jovens, no amadurecimento dos talentos para depois os transferir. Ora, e de acordo com o clube, nada disso aconteceu nestes meses nem os jogadores que vieram pela mão de Maniche tinham qualidade.