Tribuna Expresso

Perfil

Futebol nacional

Jogo, joguinho, jogão

Não foi exatamente bem jogado, mas foi um clássico com drama, muita emoção (porque o bom do futebol também é isso) e em que as decisões só apareceram mais de duas horas após o apito inicial. E aí, nas grandes penalidades, o Sporting foi melhor que o FC Porto. Está na final da Taça de Portugal, troféu que pode juntar à Taça da Liga, que já venceu esta época

Lídia Paralta Gomes

José Sena Goulão/LUSA

Partilhar

Na véspera da 2.ª mão das meias-finais da Taça de Portugal entre Sporting e FC Porto falou-se de graus de substantivos, aumentativos e diminutivos, falou-se de jogos, joguinhos e jogões e, verdade seja dita, o clássico foi tudo isso e mais qualquer coisa em 120 minutos + pontapés da marca de grande penalidade. Uns 120 minutos em que houve momentos de mau futebol, de péssimo futebol, futebol mais ou menos, mas também fintas bonitas, emoção no final, um golo que empatou a eliminatória a cinco minutos do fim, um golo invalidado após três bolas nos ferros na mesma jogada uns minutos depois e até o caricato de um amarelo por um jogador A (neste caso, Felipe) estar a vestir a camisola de um jogador B (neste caso, Soares).

E após o 1-0 para o Sporting no jogo jogado, nas grandes penalidades o FC Porto falhou a abrir, o Sporting não falharia e será a equipa de Jorge Jesus a jogar no Jamor a final da Taça de Portugal, frente ao Aves. Foi tudo nos detalhes, porque a eliminatória foi equilibrada e competitiva e só assim se poderia decidir.

A noite foi emotiva q.b., mas tal como todos os clássicos desta época entre Sporting e FC Porto (e foram cinco) o encontro desta quarta-feira não foi aquilo que se possa chamar de grande jogo de futebol. Aí vai um pedaço de estatística que retira qualquer polémica a esta afirmação: o primeiro remate enquadrado do jogo demorou 63 minutos a aparecer, um tiro de Mathieu, um central, após uma jogada em carrossel do ataque do Sporting, talvez a primeira boa jogada de envolvimento dos leões ao longo do jogo, talvez o primeiro sinal palpável de um melhor Sporting na 2.ª parte, depois de um primeiro tempo em que o FC Porto manietou sem problemas a equipa da casa.

Os primeiros 45 minutos do jogo, diga-se, correram de feição aos dragões que, em vantagem por 1-0, viram um Sporting sem capacidade de pressionar alto, pouco agressivo e com Bruno Fernandes, o homem dos comandos, muito preso. O perigo leonino surgia apenas nas correrias de Gelson Martins, que quase resultava aos 40 minutos, quando o extremo deixou Alex Telles para trás com uma finta deliciosa, mas acabou por falhar o cruzamento - Bas Dost ainda se esticou, mas nem os seus 1,96m permitiram chegar àquele passe.

António Cotrim/EPA

O Sporting parecia sem soluções que não fossem rasgos individuais, mas na 2.ª parte Bruno Fernandes desamarrou-se, as linhas subiram e o jogo da equipa de Jorge Jesus abriu. Nada que, no entanto, se materializasse em oportunidades. Na hora de arriscar, a 15 minutos dos 90’, o treinador do Sporting trocou Coentrão por Montero, o Sporting aumentou ainda mais a presença no meio campo do FC Porto, foi crescendo e por momentos nem parecia que o Sporting era equipa com 54 jogos nas pernas - a intensidade do clássico com o Benfica sentiu-se na quebra física dos dragões na 2.ª parte.

E já depois de Sérgio Conceição reforçar o meio-campo com Sérgio Oliveira e Diego Reyes, apareceu o golo do Sporting, a cinco minutos dos 90’. Após um canto de Bruno Fernandes, Marcano faz um corte deficiente e Coates aproveitou para, de primeira, rematar colocado, sem permitir reação a Casillas.

José Sena Goulão/LUSA

No prolongamento, a toada de mais Sporting manteve-se (Gelson e Bruno Fernandes criaram perigo), mas ninguém quis arriscar em demasia e, tal como nas meias-finais da Taça da Liga, tudo se decidiu nos 11 metros. Aí, Marcano falhou, tal como no golo do Sporting (há noites assim), e a partir daí todos os remates entram.

O último, de Montero, selou a ida do Sporting ao Jamor, ao final de mais de duas horas de drama. A 28.ª presença do Sporting na final da Taça, troféu que já venceu 16 vezes.

Não foi um jogão de futebol este, mas foi um jogão emocional. Assim fossem todos.