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Alto! A vitória veio mesmo do banco

O Benfica sofreu a bom sofrer para conseguir vencer o Estoril, último classificado da Liga, mas Salvio saltou do banco para dar a vitória que ainda deixa o campeonato em aberto (2-1)

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Gualter Fatia

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Há quem veja o copo meio cheio e há quem o veja meio vazio. E depois ainda há outros, como Rui Vitória, que costumam vê-lo sempre na mesma: nem cheio, nem vazio, nem oito, nem oitenta - é um copo e tem água. E pronto. Ou seja, normalmente, o treinador do Benfica preza o discurso redondo e raramente sai da (sua) linha.

A não ser que alguém derrube o dito copo. Aí, até Rui Vitória se exalta. Como na conferência de imprensa de antevisão do Estoril-Benfica, quando lhe perguntaram pelas substituições (pouco felizes) que fez frente ao FC Porto, que acabou com uma derrota benfiquista:

"Esse jogo está praticamente riscado mas abro uma exceção para falar disso. As substituições valem o que valem. Já valeram em Paços, em Setúbal. Li que 17 golos já vieram do banco. Sou o primeiro a valorizar os jogadores quando entram, mas calma. Quando eles entram são metidos por alguém. Aí já não conta? Há oito dias tivemos essa visão clara, passado uns dias foi o treinador que fez substituições más. A diferença foi que em Alvalade o golo surgiu aos 87 minutos. Antes da derrota tivemos nove vitórias seguidas. Alguém questionou as minhas substituições? Assumo as substituições que fiz no domingo e nas outras partidas para trás. Já vieram 17 golos do banco, alto! Fiz 48 anos e não 18, ando aqui há muito tempo”.

Alto! Esta noite, na Amoreira, surgiu o 18º golo do banco, quando Salvio fez o 2-1 final, já aos 90+2', depois de ter entrado em campo aos 71'.

Rui Vitória tinha dito, na tal conferência de imprensa, que a Liga ainda não estava acabada - e a verdade é que tem razão: o Benfica agora lidera com 77 pontos, mas o FC Porto, que tem 76, só joga na 2ª feira, em casa, perante o Vitória de Setúbal.

E isso quer dizer que foi Rui Vitória a decidir o jogo? Nem por isso. É que, durante muito tempo, na 2ª parte, a Liga pareceu mesmo acabada, com um Benfica partido a meio-campo, que permitiu várias oportunidades de golo ao Estoril.

Voltando ao início (que foi mais auspicioso para o Benfica): os visitantes entraram bem na partida e, logo aos 10', uma grande abertura de Zivkovic, num contra-ataque, encontrou Rafa isolado pela direita. O extremo não falhou e fez o 1-0, com um remate cruzado certeiro.

A partir daí, o jogo teve sempre o mesmo sentido: o da baliza do Estoril. O Benfica teve mais posse de bola e esteve sempre mais perto da área adversária, mas Renan apareceu sempre a impedir o golo, nas poucas oportunidades que existiram.

Mas, na 2ª parte, a história foi bem diferente. O Estoril entrou a todo o gás e começou a ameaçar a baliza de Varela. Primeiro foi Allano a marcar, mas o videoárbitro anulou o golo, por fora-de-jogo. Depois, num livre para a área, André Almeida ficou a ver jogar e Halliche aproveitou para fazer o 1-1, aos 63'.

Nesta altura, havia bem mais Estoril do que Benfica, mas o jogo já estava partido: bola cá, bola lá e ninguém controlava a partida, que podia cair para qualquer um dos lados.

Junto à baliza de Varela, Lucas Evangelista rematou ao poste e, do outro lado do campo, Rafa falhou isolado frente a Renan - por duas vezes - depois de Jiménez também ter testado o guarda-redes brasileiro.

Já com Salvio e Seferovic em campo, por troca com Cervi e Pizzi, o meio-campo do Benfica tornou-se praticamente inexistente, com as bolas a serem endossadas para a frente à procura da área estorilista.

E foi assim que, aos 90+2', Grimaldo cruzou para a área e encontrou a cabeça de Salvio. E afastou aquele fantasma de 2012/13, quando o Estoril empatou com o Benfica, na Luz, antes do jogo em que houve aquele remate de Kelvin.

A Liga 2017/18 continua. Mas já só faltam três jornadas. A bola está agora no campo do FC Porto.