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O dérbi IKEA que montou o sofá do campeão

Sporting e Benfica empataram a zero, pelo que os leões levam vantagem na corrida à Liga dos Campeões. Mas essa é uma história secundária, porque esta é a noite em que o FC Porto quebra o jejum de quatro anos, sagrando-se campeão nacional no conforto de casa

Pedro Candeias

Gualter Fatia

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Não ganha quem quer, nem quem pode e sim quem marca - a não ser em casos como este em que o empate sem golos resultou numa espécie de triunfo simbólico e dourado.

Se o campeonato tivesse acabado este sábado, o Sporting tinha o segundo lugar garantido e, por arrasto, a oportunidade de disputar a terceira pré-eliminatória que leva ao playoff que leva à Champions. E ao dinheiro.

É um caminho incerto, mas também não é certo o vice-campeonato, porque falta encontrar o Marítimo, no Funchal.

Por outro lado, do outro lado, está o Benfica, que pode acabar a época no terceiro lugar, longe do penta, dos milhões da UEFA e de todas as outras competições em que estava, como sois dire na bola portuguesa, ‘inserido’. Taça de Portugal. Taça da Liga. E Liga dos Campeões.

E para quem vem de um tetra e da euforia, e ainda se lembra vagamente de Ederson, de Nelson Semedo, de Mitroglou e de Lindelöf, e agora tem Varela, Douglas e Seferovic, é natural que o estado seguinte seja o da depressão.

Mas isto não significa que o Benfica tenha sido inferior ao Sporting. Pelo contrário, e quando menos se esperava, Rui Vitória ainda conseguiu surpreender Jorge Jesus ao apresentar um meio-campo teoricamente defensivo e na prática eficaz.

Pois que Pizzi jogou à direita e que Fejsa teve a companhia de Samaris; com esses três, Douglas sofreu menos do que o anúncio da sua titularidade causou entre os benfiquistas, e Zivkovic conseguiu combinar com Rafa, permitindo aos encarnados criar um par de boas oportunidades na primeira-parte: ambas por Rafa, ambas naturalmente ao poste, porque Rafa é, bom, Rafa.

Enquanto isso, Battaglia e William tentavam à vez acertar com as marcações, Bruno Fernandes estava sob vigilância, tal como Gelson; a criatividade, a espaços, soltava-se no pezinho esquerdo de Bryan Ruiz. Antes do final da primeira-parte, houve o momento memorável Zidane de Bas Dost, que enganou dois adversários só que preferiu passar a bola a chutar perante Varela.

Ao intervalo, 0-0, e no Porto pediam-se outros 45 minutos iguais para evitar ansiedades diante do Feirense.

E assim foi, ainda que a coisa tenha sido diferente. Porque Jesus corrigiu os posicionamentos de William e Battaglia e logo se superiorizou naquele entretém no meio-campo. Só que esse ligeiro ascendente traduziu-se em poucochinho e até foi Jiménez a falhar um golo feito após cruzamento de Salvio, que entrara para o lugar de Pizzi. Bryan Ruiz também teria uma pequena oportunidade, sendo que, depois, o dérbi mudou porque tudo muda quando Jonas vai a jogo.

O brasileiro, que não jogava há quatro jogos, conseguiu ligar os pontos todos e cozeu jogadas daquela maneira simples que só ele sabe, e o Sporting ficou em sentido. Mas já era tarde para que algo de significativo pudesse acontecer e lá em cima alguém devia estar a levantar-se do sofá que os rivais haviam montado a quatro mãos porque era tempo de festa. Quatro anos depois, seria certamente rija.